Curitiba - As ocupações de terra promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) têm crescido a cada ano em todo o Brasil. Um relatório divulgado esta semana pela Ouvidoria Agrária Nacional aponta que o número de invasões de terra nos primeiros 23 meses do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já superou o total registrado nos últimos três anos da gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Entre janeiro de 2003 e novembro de 2004 ocorreram 538 ocupações em propriedades rurais contra 497 realizadas entre janeiro de 2000 e dezembro de 2002.
Somente em 2004 foram 316 ocupações em todo o Brasil. O mês de abril foi o pior com 109 invasões de terra. Em novembro foram 27 novas ocupações, 19 delas promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Deste total, 38 invasões foram no Sul do País. No Paraná, foram 25 ocupações somente em 2004 o quarto estado em número de invasões de terra no País. Em Pernambuco foram 76 ocupações; em São Paulo, 47; e em Minas Gerais, 30.
''A situação está grave. As ocupações ocorrem quase que mensalmente e as reintegrações de posse são raras'', reclamou Tarcísio Barbosa de Souza, coordenador da Comissão Técnica de Política Fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Em todo o Brasil, aconteceram 53 mortes no campo, sendo que 16 delas comprovadamente por conta dos conflitos agrários. No Paraná foram três mortes (o quinto estado do País em número de mortes no campo), sendo que duas delas comprovadamente por conta de conflitos agrários.
De 1995 até 2004 ocorreram 2.980 ocupações de terra em todo o Brasil. No mesmo período, ocorreram 301 mortes no campo. Atualmente, o Paraná conta com 69 áreas invadidas e com mandado de reintegração de posse. A maior reclamação dos ruralistas é com a demora para que seja realizada uma desocupação. No governo Jaime Lerner (PSB), foi baixada uma resolução que garantia que toda a área invadida teria que ser desocupada em 48 horas. No governo Roberto Requião (PMDB) não existe critério para que as desocupações ocorram. A prioridade é negociar com os invasores para que a saída seja pacífica e não ocorram conflitos agrários.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou ontem que existe uma política de desocupação de áreas produtivas no Paraná. De janeiro de 2003 a novembro de 2004, ocorreram 89 desocupações. Edson Marcos Bagnara, um dos coordenadores estaduais do MST, informou que as ocupações são uma forma legítima de pressão para incentivar a reforma agrária. Atualmente existem no Paraná 15,3 mil famílias acampadas em áreas invadidas ou beira de estradas e que aguardam a reforma agrária. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) diz que apenas oito mil famílias que estão acampadas poderiam ser incluídas em programas de reforma agrária por terem perfil de trabalhadores rurais carentes.

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