Sorocaba, SP - A onda de invasões comandada pelo líder José Rainha Júnior durante o carnaval causou um racha no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e também na Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT.
As lideranças estaduais e nacionais do movimento não reconhecem a parceria do líder com sindicatos rurais ligados à CUT. A direção estadual da central sindical, por sua vez, não avaliza a participação de seus sindicatos nas invasões. A ação conjunta, à revelia dos respectivos comandos estaduais, resultou na invasão de 13 fazendas no oeste paulista, entre domingo e segunda-feira. ''Não é uma orientação da CUT de São Paulo a ocupação de terras'', informou a assessoria de imprensa.
A direção estadual vai se reunir hoje para discutir a questão. Os coordenadores regionais de Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema, e Araçatuba, que atende também a Alta Paulista, foram convocados. ''É uma situação delicada e a CUT discute exaustivamente antes de tomar decisão que envolva ocupação'', relatou a assessoria, acrescentando que, no mínimo, houve falta de comunicação. Os sindicatos, porém, não pretendem voltar atrás. ''Nossa luta vai continuar unificada com o MST de José Rai© nha'', disse o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais Assalariados de Presidente Prudente e Região, Rubens Germano. Ele lembrou que também faz parte da direção estadual da CUT e, nesse caso, o sindicato tem autonomia para agir. ''A CUT não pode falar faz ou deixe de fazer.''
Apesar disso, os sem-terra ligados ao Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) da região de Andradina, que também se aliou a Rainha, retiraram-se ontem da fazenda Cachoeira, que tinha sido invadida na segunda-feira, em Itapura.
Integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) invadiram, no início da madrugada de anteontem, a fazenda Barreiro, no município de Prata, no Triângulo Mineiro. As famílias sem-terra deixaram o acampamento montado na fazenda Rio das Pedras, também em Prata, ocupada desde o final de novembro do ano passado. A Justiça havia determinado a desocupação da área e o prazo se encerrava ontem.
Os militantes do MLST então decidiram se retirar da propriedade e invadir outra durante o feriado de Carnaval.

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