Invasões arranham imagem do MST
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Célia Froufe<BR>Agência Estado 
Brasília - A maioria dos entrevistados considera ilegal a invasão de propriedades, segundo pesquisa ''Imagem do MST'', encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e divulgada nesta ontem. De acordo com o levantamento, 92% dos dois mil entrevistados consideram as invasões ilegais. A pesquisa, que possui margem de erro de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, foi feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e trata das ações promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A rejeição também existe, embora em menor grau, quando se trata de simpatia pela causa. Neste aspecto, 64% são contra o movimento, 20% a favor e 13% não são favoráveis nem desfavoráveis às invasões.
O estudo revela que, para 90% dos consultados, o MST deve lutar pela reforma agrária, mas sem violência ou invasão de terras. Para 85%, o direito de propriedade privada é essencial ao País e, para 77%, quem já possui uma propriedade hoje tem o direito de escolher se quer ou não produzir nela. Há ainda a percepção, por parte de 75% das pessoas consultadas, de que invadir terras particulares, desrespeitando a propriedade privada, não é o melhor caminho para o MST conseguir espaço para produção agropecuária e moradia. Para 58%, o movimento é legítimo porque são trabalhadores querendo terra para trabalhar e morar, mas que não têm condições de pagar por ela.
A pesquisa também mostra que 72% dos ouvidos consideram que o poder público deve utilizar a polícia para cumprir ordens judiciais de retirada dos invasores, enquanto 61% acham que o governo deve cumprir os mandados de reintegração de posse. Já os proprietários de fazendas não devem usar armas próprias para se proteger ou prevenir invasões em suas propriedades, de acordo com 69% dos entrevistados. Segundo 61% das pessoas ouvidas, o caminho mais adequado para resolver a questão das ocupações ilegais é a Justiça.
Em relação à aprovação das metas do MST, o Ibope identificou que 57% dos entrevistados concordam com os objetivos do movimento, mas acham que ele está se desviando de seu foco. Na opinião de 21%, os objetivos são positivos e o movimento realmente luta por eles. Dezessete por cento não concordam com os objetivos. Os objetivos citados na pesquisa foram três: luta pela terra para produção agrícola, luta pela distribuição de terra aos que não possuem moradia e luta por uma sociedade mais justa e igualitária.
Associação
Em nota, a CNA atribuiu a rejeição às atitudes promovidas pelos sem-terra nos últimos anos, que fizeram com que a população deixasse de associá-los diretamente à reforma agrária. Ao falar do MST, 69% dos entrevistados ligam o movimento primeiramente a invasões, 53% a atos de violência, 38% a luta por direitos, 32% por reforma agrária e 26% por desobediência. A pesquisa aponta ainda que 54% das pessoas ouvidas atribuem os conflitos no campo ao MST.
O levantamento apontou ainda que 57% consideram que o MST se desviou dos seus principais objetivos. Em relação a um deles, a reforma agrária, 66% acham que as invasões não têm como foco o assentamento das famílias, mas uma forma de pressionar o governo federal. Observou-se que 60% acreditam que o MST mais prejudica do que ajuda a reforma agrária, enquanto 32% disseram que o movimento contribui com ela. Mais de 70% dos entrevistados responderam que a organização prejudica o desenvolvimento econômico e social, a geração de empregos, os investimentos nacionais e estrangeiros e a imagem do Brasil no exterior.


