Invasão no Noroeste tem cinco vereadores
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sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - O acampamento dos sem-terra na Fazenda Santa Teresinha, em Paranapoema (120 km ao norte de Maringá), abriga cinco vereadores (três de Paranapoema e dois de Inajá, 88 km ao norte de Maringá). Com cerca de mil famílias, o acampamento já é um dos maiores no Paraná. A presença de vereadores engrossando as fileiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chamou ontem a atenção do presidente da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar), Bento Batista da Silva (PMDB).
Para Silva, não há como fazer distinção entre os vereadores porque o homem público defende os mais variados interesses do eleitorado, como dos próprios sem-terra ou de proprietários rurais. ''O importante é que os vereadores respeitem a ética e a instituição pública e que, na luta por uma causa, não ultrapassem a linha da lei e da ordem'', disse o presidente da Uvepar. Segundo Silva, o que não pode acontecer é o uso do cargo público para vantagem ''esquecendo ou abandonando as convicções e os ideais políticos da coletividade''.
Conforme o presidente da Câmara de Inajá, José Francisco dos Santos (PMDB), os dois colegas da Casa, José Teles da Silva Filho (PMDB) e Analina Gregório Simões (PFL), mantêm barracas no acampamento, mas participam das sessões realizadas às segundas-feiras. ''Nestes movimentos têm muitas pessoas dispostas ao trabalho, mas outras nem tanto, e se os vereadores estão em busca de terra devemos respeitar a decisão deles'', disse Santos.
Dos nove veradores de Paranapoema, estão no acampamento o presidente da Câmara Municipal, Carlos Antonio dos Anjos (PSDB) e os veredores José Antonio de Oliveira (PTB) e Joseli do Nascimento (PMDB).
Com a iminência de uma reintegração de posse, o acampamento na Santa Teresinha alcançou dimensões de uma pequena cidade. Quinta-feira, abrigava cerca de 3 mil pessoas. Pelo menos 300 são crianças de zero a 12 anos. A situação levou os prefeitos de Jardim Olinda e de Paranapoema ao desespero por causa de necessidade de assistência médica e de educação, principalmente para as crianças. O número de habitantes dos dois municípios juntos é quase o mesmo do acampamento, que fica na divisa das duas cidades.
Esta semana, uma equipe do Programa de Saúde da Família de Jardim Olinda prestou atendimento às crianças (de bebês a 12 anos de idade) com vacinação. Técnicos da área da saúde demonstraram preocupação com as condições sanitárias do acampamento e de riscos com epidemias. Os ''banheiros'' são improvisados e a água vem sem tratamento do Rio Paranapanema que margeia parte da área da fazenda. No acampamento, as pessoas convivem com riscos de graves acidentes porque cada barraca tem o próprio ''fogão'' de lenha improvisado com chapas de ferro ou alumínio. As crianças correm soltas pelo local e tentam se divertir em um parquinho improvisado.
Segundo o advogado da fazenda, Coraldino Vendramini, o proprietário vai esperar até a próxima quarta-feira por uma definição do Governo do Estado para o cumprimento da ordem de reintegração de posse. A operação marcada para anteontem foi cancelada. Se não houver a desocupação, o advogado vai entrar com pedido de intervenção federal no Paraná.


