Invasão na Zona Sul já tem lista de espera
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quinta-feira, 01 de maio de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina- Mesmo embaixo de chuva e frio, ontem foi mais um dia de trabalho duro para as quase 200 famílias que invadiram há dois dias o terreno na marginal da Avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul de Londrina), que pertence ao verador João Abussafi (PPS). A área foi ocupada em represália à falta de duplicação de um trecho de 500 metros da via. Por causa do número de interessados, a liderança do movimento teve que organizar até lista de espera. Enquanto isso, um morador de um outro loteamento próximo, que afirmou ser da Construtora Abussafi, procurou a FOLHA para reclamar do abandono de uma rua. O vereador negou ter responsabilidade sobre a obra.
O terreno de 25 mil metros quadrados, batizado de Assentamento São Francisco de Sales, continou sendo medido e ocupado ontem por moradores da região que não possuem moradia própria. Vários barracos foram erguidos e famílias não paravam de chegar com tábuas e lonas. Todos esperam que a invasão funcione tanto para apressar a realização da obra quanto para garantir um teto aos que apostaram na empreitada.
Além das quase 200 famílias cadastradas, até o meio da tarde já haviam outras 50 em uma lista de espera que não parava de crescer. O líder comunitário Robson Pereira dos Santos reafirmou ontem que a intenção é forçar a Prefeitura a adquirir a área, legalizá-la e fazer a duplicação da avenida, cujo trecho conta com galeria para água pluvial. ''Fizemos uma reunião ontem (quarta-feira) e todo mundo quer pagar pelo lote'', garantiu. Ele adiantou que na próxima semana, vai tentar abrir um canal de negociação com a Prefeitura e com Abussafi. ''A gente quer dialogar e ninguém quer brigar com ninguém. Mas vamos ficar aqui para o que der e vier'', avisou Santos.
Amparado por uma escritura firmada em 2001, o vereador apontou na quarta-feira que a Prefeitura assumiu a responsabilidade de duplicar a via em troca de 10,6 mil metros quadrados de área que foi doada ao Município. O Executivo ainda analisa a situação. Abussafi disse que pretende ingressar hoje com pedido de reintegração de posse do terreno invadido.
A pouco mais de 100 metros da invasão, no Jardim Itapoã, o morador José Maurício Sampaio procurou a FOLHA para reclamar de problema semelhante: uma rua que não foi construída. Ele mostrou um contrato firmado pela irmã dele em 2003 onde constava o nome da Construtora Abussafi e a obrigação de que a rua - com meio-fio e redes de água, esgoto e energia - deveria ser entregue acabada. O lote foi comprado por R$ 10.850.00 em 70 prestações. Faltam 18 parcelas e as obras ainda não foram executadas.
Sampaio olha para a rua e vê amontoados de lixo, animais mortos e lama. Por conta própria, cascalhou a rua para torná-la transitável. Também não há iluminação, embora os postes tenham sido colocados.
Questionado, Abussafi afirmou que sua empresa não teria nada a ver com o problema. ''Não fomos nós quem loteamos'', argumentou, completando que a área teria sido loteada e comercializada por uma outra loteadora, com a qual a FOLHA não conseguiu contato ontem.


