Emerson Cervi
De Curitiba
O proprietário da Fazenda Impérios, Luis Claudio Guimarães, 69 anos, foi internado ontem em uma clínica de Curitiba com problemas cardíacos após sua fazenda ser invadida. A família não informou o nome da instituição. A fazenda Impérios, de 800 alqueires, no município de Cândido de Abreu, foi ocupada na madrugada de segunda-feira por cerca de 840 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo um dos filhos do dono da fazenda, Alo Guimarães, os advogados da família estão analisando a melhor forma de requerer a reintegração de posse. Até o final da tarde de ontem havia 160 famílias do MST acampadas no local.
‘‘Meu pai não aguentou tamanha violência contra um bem que está há 30 anos com a família e agora esperamos contar com o amparo da lei’’, disse Guimarães. Toda a propriedade era destinada à pecuária de corte. Metade da fazenda estava arrendada para Edoel Ferreira Alves. Os donos criavam 700 cabeças de búfalo nos outros 400 alqueires. ‘‘A fazenda foi considerada produtiva pelo Incra, não conseguimos entender os motivos da invasão até agora’’, afirmou.
Segundo Guimarães, no primeiro dia da invasão os sem-terra teriam abatido 15 vacas e 3 búfalos. ‘‘Tomaram conta de todas as instalações e ninguém pode entrar lá, sem contar que as sete famílias de colonos que trabalham para nós estão impedidas de sair de suas casas’’. O filho do dono da fazenda foi informado que a maioria dos invasores veio do município de Manoel Ribas. ‘‘Eles estavam muito bem armados e nos pegaram de surpresa porque até então não estávamos vivendo em clima de guerra civil’’.
O arrendatário Edoel Ferreira Alves informou que teve abatidas mais de 15 vacas meio sangue ou 3/4 Simental que estavam prenhas ou recém-paridas. Na área arrendada por ele, estão cerca de 1.200 cabeças, entre elas, 92 garrotes. ‘‘Estávamos com cerca de 100 vacas separadas para parir, todas inseminadas com sêmen importado’’, disse Edoel. Segundo ele, cada vaca abatida está orçada em cerca de R$ 1.200,00. ‘‘Eles atiraram em animais e os deixaram agonizando. ‘‘Quem viu, disse que foi um barbarismo.’’

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