Cerca de 30 trabalhadores sem terra invadiram ontem a fazenda Rio Novo, em Querência do Norte (113 quilômetros a oeste de Paranavaí). A propriedade pertence a Túlio Pagan e tem 311 alqueires. Segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 100 famílias estavam na propriedade invadida no final da tarde de ontem, boa parte com crianças. O coordenador da União Democrática Ruralista (UDR), no Noroeste do Estado, Tarcísio Barbosa criticou a invasão. Segundo ele, os sem-terra têm objetivos políticos e ‘‘buscam a desordem e intranquilidade no campo’’.
Barbosa acusou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de realizar desapropriações arbitrárias no Estado. De acordo com Barbosa, as últimas desapropriações feitas pelo Incra envolvem propriedades que estavam sub judice. Ele cita a desapropriação da fazenda São Joaquim, em Terra Rica. O proprietário da área entrou com recurso e o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a desapropriação, considerando argumentos do advogado que alegou ofensa ao princípio de ampla defesa, já que não se aguardou o desfecho de uma ação na Justiça Federal. Barbosa disse que o Incra fez a vistoria da área sem a prévia comunicação e que a área foi considerada produtiva.
De acordo com a assessora da superintendência do Incra, Maria Cristina Casagrande, o processo de desapropriação da fazenda São Joaquim já havia sido encaminhado para Brasília quando a superintendência do Incra em Curitiba recebeu o comunicado sobre a ação ajuizada pelo proprietário. Ela negou entretanto, que a fazenda tenha sido considerada produtiva e disse que o proprietário foi comunicado sobre a vistoria, sobre o resultado da vistoria e sobre o processo de desapropriação.

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