Arquivo FolhaPortas fechadasJungmann limitou-se a assinar comunicado sobre as medidas do governoBRASÍLIA - Com a invasão do prédio do Ministério do Planejamento, anteontem, os integrantes do 4º Grito da Terra Brasil conseguiram apenas irritar o governo, que decidiu não negociar mais com o movimento. ‘‘O governo encerrou as negociações com o Grito da Terra’’, afirmou o secretário-executivo do ministério, Martus Tavares. Em assembléia, realizada na manhã de ontem, os manifestantes resolveram partir para o contra-ataque e montaram um cronograma de atividades que inclui até novas invasões de agências bancárias e prédios públicos nos municípios.
As manifestações começam semana que vem na Região Norte e nos estados de Tocantins e Goiás, e culminarão no dia 26 de junho com o Dia Nacional de Mobilização. Para Martus, a ameaça dos integrantes do movimento de realizarem novas invasões é uma questão para a polícia resolver.
O secretário divulgou nota oficial com as medidas que o governo pretende tomar para auxiliar os pequenos agricultores na produção da safra 1997/98. Entre as medidas - distantes das reivindicações do Grito - estão a redução dos juros de 9% para 6,5% e o aumento de 50% dos recursos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), totalizando R$ 1,5 bilhão. O movimento queria taxa zero e R$ 3 bilhões no Pronaf. O governo se compromete a anunciar uma ação efetiva contra o desemprego rural dos agricultores em regime de economia familiar e diz que anunciará novos preços mínimos na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional.
‘‘As decisões respondem aos interesses da vasta maioria dos pequenos agricultores do País que não podem ser prejudicados pela ação de meia dúzia de irresponsáveis movidos por propósitos políticos mesquinhos’’, afirmou. ‘‘O governo mentiu’’, denunciou ontem o presidente da Contag, Francisco Urbano. Segundo ele, o acerto feito com o ministro da Justiça, Milton Seligman, era de que os manifestantes desocupariam o prédio e o governo apresentaria respostas concretas às reivindicações. Além de não melhorar as condições de produção do pequeno agricultor, Urbano diz que o governo deu respostas vagas às questões de violência no campo, da demarcação de terras indígenas e da reforma agrária.
Urbano e seus companheiros esperavam que o governo começasse a dar algumas respostas já na reunião interministerial realizada depois das 22 horas no Ministério da Justiça, da qual participaram Seligman, o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e o secretário-executivo do Planejamento. Eles apenas fizeram um ‘‘comunicado’’ das medidas a serem tomadas pelo governo, que os integrantes do Grito da Terra já conheciam e não concordavam.

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