Berlim, 18 (AE) - Enquanto o governo iugoslavo declarava-se disposto a debater o plano de paz do G-8 e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) voltava a intensificar os bombardeios à Iugoslávia, líderes ocidentais manifestavam claro desentendimento nesta terça-feira (18) sobre uma questão considerada fundamental pelos estrategistas militares para pôr fim ao conflito: a invasão terrestre de Kosovo.
"É uma medida inconcebível", disse o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, referindo-se à pressão do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em favor da iniciativa.
Quase simultaneamente, em Washington, o presidente Bill Clinton mudava o tom de seu discurso - até então contrário ao desembarque de tropas -, afirmando que "nenhuma opção pode ser descartada" na frente militar.
A exemplo do alemão, os governos do Canadá e da França afastaram a idéia da invasão terrestre. A Itália foi mais longe ao propor a suspensão da Operação Força Aliada antes mesmo da retirada das forças sérvias de Kosovo. A Grécia, por sua vez, pediu uma pausa de 48 horas na campanha aérea para "reforçar" a iniciativa diplomática.
Os contatos diplomáticos entre Estados Unidos e Rússia para uma solução política da crise foram retomados hoje na Finlândia. Reuniram-se em Helsinque o subsecretário de Estado norte-americano Strobe Talbott, o negociador russo Viktor Chernomyrdin e o presidente finlandês, Martti Ahtisaari (especialista na questão balcânica que conta com apoio da União Européia).
O tema da conferência não foi revelado. "É um trabalho de base para solucionar o problema", resumiu Chernomyrdin, que é aguardado amanhã em Belgrado.
Na capital iugoslava, o porta-voz da chancelaria Nebojsa Vujovic disse que o presidente Slobodan Milosevic está disposto a debater o plano de paz do Grupo dos Oito (sete países mais ricos e a Rússia), apresentado recentemente em Bruxelas.
"Estamos abertos ao diálogo, apesar de nossas reservas em relação a partes desse plano", disse Vujovic. Milosevic veta o item que prevê o desembarque de tropas no país. Ele aceita uma missão desarmada, com mandato da ONU e sem representação dos países da Otan que participam da Operação Força Aliada.
A Otan rejeita qualquer condição de Belgrado e não abre mão do comando das ações militares agora nem no futuro.
Com bom tempo, a aviação da aliança retomou hoje os ataques em grande escala, lançando bombas e mísseis sobre alvos militares e estratéticos em Belgrado, Novi Sad, Nis, Pristina e outras cidades iugoslavas.
Bombardeou e interrompeu completamente o trânsito na principal rodovia do país. Destruiu três helicópteros, dois aviões MiG, uma rampa de mísseis Sam-6 e um depósito de foguetes. "Vamos aumentar a frota de aviões, com a chegada de mais 18 A-10 (antitanques)", disse o porta-voz James Shea. Ele mencionou estudos do Pentágono que estimam em 5 mil o número de kosovares assassinados pelos sérvios e em 250 mil (entre 14 e 59 anos) o de desaparecidos.

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