Inundadas, Marabá e Tucuruí decretam emergência
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domingo, 26 de março de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 27 (AE) - Os prefeitos de Marabá, Geraldo Veloso (PSDB)
e de Tucuruí, Cláudio Furman (PTB), decretaram ontem estado de emergência em seus municípios em virtude do transbordamento do Rio Tocantins, que até esta segunda-feira subiu 12,68 metros.
Cerca de 8.000 famílias dessas duas cidades do sudeste do Pará estão desabrigadas. Nos bairros de Santa Rosa, Cabelo Seco, Marabá Pioneira e Folha 33, raros são os moradores que permanecem em suas casas. "Se eu sair, os bandidos saqueiam tudo", argumenta o garimpeiro Felisberto Batista da Costa.
Em Tucuruí, a prefeitura oferece barcos e lanchas para remover as famílias que vivem na parte mais baixa da cidade, onde o nível do rio supera a marca dos 12,70 metros. "É a pior enchente dos últimos 20 anos", diz o prefeito.
De acordo com boletim divulgado pela Defesa Civil de Marabá, os 39 abrigos públicos construídos na parte alta da cidade pela prefeitura estão superlotados. As famílias estão abrigadas em galpões, escolas e nas instalações da feira agropecuária.
O coordenador da Defesa Civil, Francisco Alves Ribeiro, o Bebé
informou que a prefeitura distribuiu até ontem mais de 1.200 cestas básicas para os desabrigados.
Pessoas de maior poder aquisitivo em Marabá organizaram uma campanha de arrecadação de roupas, alimentos e medicamentos para as famílias que perderam praticamente tudo depois que suas casas foram inundadas.
O empresário Elton Farias disse que ele e um grupo de amigos oferecem diariamente sopa de legumes com pão aos desabrigados alojados num ginásio de esportes perto de sua casa. "É triste ver crianças doentes e chorando famintas a noite toda nos abrigos."
Os barqueiros de Marabá e Tucuruí nunca faturaram tanto como agora, transportando famílias inteiras e bagagens em fretes que custam até R$ 50,00 por viagem. "Quem não pode pagar isso eu reduzo o preço", diz o barqueiro Edmundo Vargas.


