Mesmo sem chuvas no Estado, subiu ontem para mais de 12 mil o número de desabrigados pelas cheias no Rio Grande do Sul. São 3,5 mil pessoas além do total apurado no sábado, segundo a Coordenadoria da Defesa Civil/RS, após levantamento município por município. Oitenta e cinco prefeituras decretaram situação de emergência. Quase todas as 3,7 mil famílias flageladas vivem na região da Fronteira Oeste.
Com a água expulsando 6,3 mil moradores de suas casas, Itaqui continua sendo a cidade castigada pelos maiores problemas. Lá, a 731 quilômetros de Porto Alegre, na divisa com a Argentina, o Rio Uruguai ostentava ontem o nível de 12m73cm, quando, naquele ponto do curso, a cota de alerta é de 9 metros. ‘‘As chuvas que caíram sábado no Sul de Santa Catarina complicaram o quadro’’, interpretou o cabo Everton Porciúncula, do plantão da Defesa Civil/RS.
‘‘Pulo do rio’’Localizada um pouco abaixo no curso do Uruguai, Uruguaiana tinha, aproximadamente, 3 mil flagelados. É a segunda cidade mais atingida. Na altura de Uruguaiana, o rio ultrapassou a cota de alerta (9m80cm) em dois metros e 36 centímetros. ‘‘Tudo está precário por aqui’’, testemunhou ontem à tarde o presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, Paulo Kleinubing. Sem contar os moradores que se refugiaram em casas de parentes, amigos e vizinhos, 750 foram abrigados nos armazéns da Cooperativa Valuruguai, próximo ao centro de Uruguaiana. ‘‘O rio deu um pulo de ontem (sábado) para hoje (ontem)’, ilustrou Kleinubing.
Depois de Itaqui e Uruguaiana, São Borja convivia com as maiores dificuldades. Possuia 2,1 mil desabrigados. Em São Borja, o nível do Rio Uruguai batia nos 14m20cm, mais de quatro metros acima da sua cota de alerta. Alegrete é a única cidade não situada às margens do Uruguai com grande número de desabrigados. O Rio Ibirapuitã, que pertence à bacia do Ibicuí, obrigara 896 moradores a abandonaram suas residências.

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