Duas mil crianças se intoxicaram anteontem com a merenda escolar preparada na cozinha-piloto da prefeitura de Birigui, a 530 quilômetros de São Paulo. Ontem pelo menos 20 crianças permaneciam em observação nos hospitais da região. Os estudantes tiveram diarréia, febre e vômito.
Das 17 às 23 horas de quarta-feira viaturas policiais, motoristas voluntários e até ônibus foram utilizados no transporte de estudantes com idade de 7 a 14 anos que precisavam atendimento médico. Durante toda madrugada de ontem os hospitais da região permaneceram lotados. Até no pátio de estacionamento da Santa Casa de Birigui havia crianças recebendo soro. Os pais ficavam encarregados de segurar os frascos.
No cardápio oferecido aos estudantes havia arroz, feijão, milho, ervilha, farinhas de milho, mandioca e farofa com linguiça. A assessoria de imprensa da prefeitura suspeita que parte do alimento, comprado de uma empresa de São José do Rio Preto, tenha estragado por causa do calor. Pela manhã, pelo menos 10 mil alunos comeram o mesmo cardápio e não tiveram problemas. A intoxicação ocorreu entre os que se alimentaram após o meio-dia. A cozinha-piloto foi interditada para, segundo o prefeito José Roberto dos Santos (PSDB), uma investigação ‘‘minuciosa’’.
Amostras da merenda foram recolhidas pela Vigilância Sanitária para análise, no Instituto Adolfo Lutz de Araçatuba, que deve ser concluída na próxima semana. Um laudo com o resultado parcial da análise deve ser divulgado amanhã. Também foram coletadas amostras de sangue, urina e fezes dos alunos e dos funcionários que trabalham na preparação do alimento, para tentar se chegar à causa da contaminação. Um inquérito foi aberto pela polícia de Birigui.

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