Agência Estado
De Brasília
Cinco pessoas ainda permanecem internadas no Hospital de Ceilândia, cidade-satélite de Brasília em consequência do vazamento de um gás tóxico na quarta-feira, que provocou uma morte e intoxicação em 129 pessoas. Ontem foi um dia agitado no hospital. Mais de 40 dos intoxicados voltaram, com problemas respiratórios e irritação nos olhos. Foram medicados e liberados. Todos tinham sintomas de pneumonite química, doença que incha os pulmões e é causada pela inalação do gás, segundo o cardiologista Justino Gonçalves Cardosi.
A perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC) do Distrito Federal constatou ser cloro gasoso a substância existente nos cilindros achados na casa de Edivaldo de Castro Pereira, de 53 anos, cuja mulher morreu. Ele causou o acidente ao retirar a tampa de um deles. A princípio, acreditou-se ser acetileno, utilizado em soldas. Segundo a perícia, o cloro gasoso estava na forma de cloreto de hidrogênio. O chefe do Laboratório de Análises do IC, Luiz Carlos Taveira de Matos, analisou os cilindros. ‘‘A situação está sob controle’’, garantiu.
Após uma vistoria no local, a Defesa Civil e o Departamento de Fiscalização de Saúde Pública do DF desinterditaram as oito casas vizinhas a de Edivaldo Pereira, onde ocorreu o vazamento. ‘‘Não há mais perigo para as pessoas’’, garantiu Cássio Thyone, perito criminal da Polícia Civil. Thyone foi quem fez a perícia no local do acidente. Outro perito, Luiz Carlos Taveira de Matos, também autorizou a ocupação das casas. Apesar de os peritos afirmarem que a situação está sob controle, ainda é de medo e apreensão o clima entre os moradores da QNN 06.
‘‘Foi uma cena terrível’’, lembrou Dulce Gomes Cunha, de 42 anos, vizinha do serralheiro. ‘‘Havia uma cortina de fumaça nas ruas, senti tonturas e irritação nos olhos’’. Ainda nervosa, Dulce disse temer que o vazamento do gás pudesse repetir a tragédia do Césio 137 ocorrida em 1987 em Goiânia (GO). Naquele ano, quatro pessoas morreram e outras 254 ficaram contaminadas, quando Dvair Alves Ferreira, dono de uma ferro-velho abriu uma cápsula de césio utilizada em consultório odontológico.
Uma cartilha distribuída aos moradores ensina como deve ser feita a limpeza das casas e dos utensílios domésticos. O administrador da cidade, Eduardo Gomes, disse que a desinfecção das casas seria feita com a ajuda do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), que enviou equipes ao local.