Intoxicação doméstica dobrou em uma década
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quinta-feira, 10 de julho de 2003
Karine Rodrigues<br> Agência Estado 
Rio - O número de intoxicações e envenenamentos no País mais do que dobrou na última década. As maiores vítimas são crianças abaixo de cinco anos, geralmente, por causa da manipulação e ingestão de medicamentos e produtos de limpeza. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), elas representam 27,9% dos 72.786 casos registrados no país em 2000. Em 1990, houve 31.462 ocorrências.
Dos 20.283 casos de intoxicação em crianças, a maioria foi causada por medicamentos (8.262) e produtos de uso doméstico (3.710), como alvejantes, detergentes e inseticidas. A atenção de pais e responsáveis poderia até ter evitado uma parcela dos acidentes e a morte de 32 crianças, mas a maior parte não teria ocorrido se os produtos tivessem tampa de segurança. O projeto de lei 4841, que determina um reforço na embalagem de medicamentos e produtos químicos de uso doméstico, está tramitando na Câmara Federal desde 1994.
Segundo o chefe do Departamento de Segurança da Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, Edson Ferreira Liberal, a tampa de segurança é o melhor tipo de prevenção de intoxicação e envenenamento. ''A adoção da lei seria a medida mais importante para a redução dos casos no País''.
O último levantamento do Sinitox foi feito com base nos dados repassados por 30 Centros de Controle de Intoxicações (CCIs) espalhados por nove Estados. Coordenadora do Sinitox, unidade do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rosany Bochner ressalta que o índice poderia ser bem maior se existissem centros em todo o País. ''Há subnotificação'', diz Rosany, acrescentando que, embora o número de CCIs tenha passado de 19 para 30 na última década, independentemente disso houve um crescimento de ocorrências.
Rosany observa que, como em crianças menores de cinco anos, ao contrário dos adultos, os casos são sempre acidentais, as ações educativas e preventivas são fundamentais. Além do reforço nas embalagens, ela enfatiza que frascos com formato de bichinhos e remédios com sabor adocicado são um atrativo perigoso para as crianças.


