São paulo, 29 (AE) - O ex-funcionário da Administração Regional da Penha, zona leste de São Paulo, Sílvio Rocha foi preso hoje pela manhã, acusado de participar de um esquema de extorsão na região e de intimidar testemunhas do crime. Conhecido como "intocável" na Prefeitura, ele está envolvido na denúncia de que Paulo Maluf é o pai de uma neta sua. Também foi preso hoje o ex-supervisor de Uso e Ocupação do Solo da regional Fernando Garcia Lepper, que estava foragido desde 25 de janeiro e foi denunciado como participante do esquema de propinas.
Ao saber da notícia da prisão, Rocha começou a passar mal e desmaiou. Levado ao Pronto-Socorro da Lapa, com sintomas de hipertensão e crise nervosa, reapresentou-se à tarde na Divisão de Identificação e Registos Diversos, onde concentram-se as investigações sobre corrupção na Prefeitura. Segundo o promotor Roberto Porto, que atua no caso, Rocha deve ser ouvido quarta-feira, junto com Lepper.
De acordo com o delegado Naief Saad, que preside o inquérito sobre irregularidades na Penha, em um momento anterior ao início da influência do vereador Vicente Viscome (sem partido) na regional, Rocha seria um "antecessor" do ex-coronel Ivan Márcio Gitahy, suspeito de controlar a arrecadação de propinas, que passou a trabalhar na Penha na época de Viscome.
Rocha também foi acusado pelo ex-agente de apreensão Nilton Figueiredo da Silva de ter iniciado o esquema de extorsão dos barraqueiros de frutas, cobrando valores por cada ponto na rua. Ainda de acordo com Silva, Rocha teria contado com a colaboração do ex-administrador Eufrásio Meira para realizar a extorsão, que teria começado com R$ 1,5 mil em "luvas" e passado para R$ 400,00 mensais ou R$ 100,00 semanais. Meira não foi localizado pela reportagem para comentar as declarações.
Com a chegada de Vicente Viscome à Penha, Meira foi substituído por Osvaldo Morgado. A partir daí, Rocha teria começado a entrar em conflito com Viscome. O vereador teria, inclusive, agredido o ex-funcionário.
Rocha teria ficado na Regional de 94 à metade de 98. As denúncias de extorsão contra ele referem-se a 97, ano em que o vereador Viscome passou a controlar politicamente a regional, no lugar de Toninho Paiva (PFL). Paiva afirma ter conhecido Rocha, porque o ex-funcionário "frequentava muito a regional", mas nega ter indicado Meira ou que tivesse conhecimento de extorsão. Intimidação - A versão de que Rocha teria intimidado comerciantes de frutas na Penha foi dada por duas mulhres em depoimento à polícia. C.E.V.A. e K.V. alegam que na última quarta-feira, dois dias após ter prestado depoimento à CPI da Câmara Municipal que investiga a máfia da propina e também à polícia, Rocha teria comparecido à barraca de frutas onde K. estava trabalhando, fazendo perguntas sobre C. e seu marido J.V.A..
Segundo K., Rocha estava acompanhado de mais quatro homens que, armados, o teriam ameaçado. O advogado de Rocha, Gérson Bellani, afirmou que vai pedir a revogação da prisão.

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