Brasília, 28 (AE) - Apesar de ter pedido à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário para depor, na tentativa de se defender das acusações de ter cometido inúmeras irregularidades, o interventor do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, juiz Ruy Eloy, terminou confirmando parte dessas denúncias, ao responder às indagações dos senadores. Ele é acusado pelo Ministério Público (MP) de improbidade administrativa, prevaricação e nomeação fraudulenta de juízes classistas. O juiz está no cargo há 22 meses, por determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que assistiu parte do depoimento, o juiz "constatou as grandes imoralidades do tribunal da Paraíba". "Ele está tentando se defender e não está conseguindo", constatou ACM.
O juiz se omitiu de informar à comissão sobre a investigação das denúncias existentes contra o TRT, alegando que as acusações foram feitas antes de sua gestão. A pedido do senador Maguilto Vilela (PMDB-GO), Eloy confirmou a veracidade da cópia de sua declaração de renda de 1996, publicada no jornal-tablóide "O Condor", distribuído no Estado. A declaração mostra que ele possuía naquele ano bens no valor de R$793.312,95, sendo um apartamento, três casas e "parte" de uma casa, um imóvel rural com 70 hectares, dois imóveis em construção nos condomínios Rembrandt e Portinari, e cinco automóveis de marcas diferentes: Picape Chevrolet, Apollo, Peugeot, Pointer e um Verona. O juiz tinha depositado em caderneta de poupança cerca de R$140 mil, distribuídos na Caixa Econômica Federal (R$59,3), Banco do Brasil (R$30,4 mil), Unibanco (R$31,8 mil) e Bradesco (R$18,4 mil).
Depois de dizer que a cópia da declaração foi obtida de maneira fraudulenta, o interventor do TRT da Paraíba informou aos senadores que seu patrimônio foi adquirido "ao longo de 49 anos de trabalho". Também explicou que maioria dos bens foram adquiridos antes dele se tornar um juíz. No relato de sua vida que fez antes das perguntas, o juíz revelou que já foi radialista e policial militar, chegando ao posto máximo de capitão. Ele confirmou que seus três filhos e a nora estão empregando no tribunal, mas que apenas a filha Romeyka Eloy Lobo teria sido transferida da prefeitura da cidade de Santa Rita. Os outros seriam concursados.
Também concordou que, na época em que coordenava os concursos públicos do TRT autorizou a compra de equipamentos de informática da empresa Infonews, pertencente a seu filho Heathcliff Eloy, empregado numa junta de conciliação da cidade de Pinheiros no Maranhão. Deputados da Paraíba e o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Antonio Nominando Diniz, assistiram ao depoimento, aparentemente em solidariedade ao juiz. O vice-presidente da comissão, senador Carlos Wilson (PSDB-PE) se irritou com as declarações de Ruy Eloy de que o TRT "está ótimo, vai muito bem", apesar de ser alvo de tantas denúncias.
Seu otimismo foi igualmente condenador pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM). Os senadores ficaram sem respostas ao questionar porque 19 das nomeações de juízes classistas que ele fez, 8 delas eram de entidades ligadas a corretores de imóveis, que nunca antes haviam ocupado essa função. O senador Djalma Bessa perguntou se a indicação tinha a ver com o superfaturamento na compra de imóvel e terreno adquiridos pelo tribunal na gestão anterior à dele. O juiz disse que não sabia explicar a coincidência e nem por que o Ministério Público (MP) impugnou todas elas. Ele foi flagrado ao negar que tinha autorizado a filha menor de idade, Yara de Almeida Eloy, a fiscalizar um concurso público. Mas, ao dizer a data do concurso e o ano de nascimento dela, ficou demonstrado que ela tinha 17 anos na época, não tendo, portanto, condições de assumir o cargo.

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