Interventor assume direção do Cristo Rei
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Ibiporã A Secretaria de Estado da Saúde nomeou o médico Carlos Luis Oporto Castro como interventor do Hospital Cristo Rei, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina). A medida foi adotada após determinação da Justiça que acatou o pedido feito pelo Ministério Público. O MP investiga o suposto desvio de mais de R$ 3 milhões do hospital nos últimos anos.
Castro foi indicado para o cargo pela 17ª Regional de Saúde de Londrina e permanecerá durante 30 dias na administração do Cristo Rei. Especializado em ginecologia, o profissional atuava na rede de assistência básica de saúde de Ibiporã desde 2009.
O interventor considerou crítica a estrutura do hospital e já adiantou que o prazo de um mês será curto para a elaboração de um relatório geral sobre o funcionamento do Cristo Rei. "É uma tarefa muito delicada. Estamos fazendo o levantamento total de todos os setores para poder ter um diagnóstico real da situação", afirmou.
Castro ressaltou que os relatórios parciais devem ser apresentados em uma semana para que a equipe administrativa possa planejar novas ações. Entre os principais desafios, ele citou a garantia de atendimento e o resgate da credibilidade do hospital junto à população. "Não vamos fazer o papel de investigação, porque isso cabe ao Ministério Público. Enquanto a Justiça apura os fatos, nós vamos fazer uma reestruturação administrativa o mais rápido possível", garantiu.
Segundo o médico, há dificuldades em obter informações relacionadas ao funcionamento do Cristo Rei por causa do afastamento de parte da equipe administrativa. "A situação é caótica, não existe outra palavra. [
] Há demora no atendimento, desorganização financeira, atrasos de pagamentos, não tem escala de plantão e nós temos que ter médicos para atender os pacientes", ressaltou. Conforme Castro, médicos e outros profissionais do hospital se comprometeram a ajudar, mesmo com os salários em atraso. A intenção é elaborar um portal da transparência para facilitar a fiscalização de recursos.
O atendimento no pronto-socorro do Hospital Cristo Rei continua restrito aos casos de urgência e emergência. A medida foi adotada após casos frequentes de desrespeito aos funcionários e atos de vandalismo registrados na sala de espera. Pacientes revoltados com a demora no atendimento quebraram vidros e tentaram agredir profissionais que estavam na recepção. O interventor pretende se reunir com representantes da Polícia Militar para pedir apoio e garantir a segurança da equipe.
Poucas pessoas aguardavam na sala de espera do pronto-socorro na manhã de ontem. Para a dona de casa Cícera Aparecida Ferreira, está difícil acreditar nas promessas de melhorias para o hospital. "Teve um dia que esperei mais de seis horas. Eu tinha vindo com meu sobrinho de 2 anos e saí à meia-noite. Tem médicos que atendem bem, mas tem outros...", contou.
INDICAÇÃO
Castro nasceu na Bolívia e é brasileiro naturalizado. Ele possui experiência na área médica e política. Já exerceu o cargo de diretor geral do Hospital São Lucas, em Sertanópolis, cidade onde também chegou a ocupar o cargo de prefeito entre 2005 e 2008. O médico tentou voltar à prefeitura em 2012, pelo PMDB, mesmo partido do prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira, mas não obteve votos suficientes para se eleger.
A chefe da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Terezinha Sanches, garantiu que a indicação foi técnica e não política. "Ele é funcionário do Estado com lotação na Prefeitura de Ibiporã. Ele foi cedido e era auditor médico da rede. Como era o único profissional lotado na cidade, foi escolhido. Será uma administração técnica", reforçou.
O governo do Estado cumpriu a determinação da Justiça, mas discorda da decisão. De acordo com a chefe da 17ª Regional, o governo apresentou recurso e questionou a medida. "O hospital é filantrópico e não estadual. O Estado pode dar um apoio logístico no período de transição para que ninguém fique sem atendimento, mas a Justiça deve formar uma equipe para administrar o hospital", argumentou Terezinha.


