São Paulo, 24 (AE) - Minutos antes de o Banco Central (BC) intervir no mercado no final da manhã de hoje e evitar que o dólar rompesse o nível de R$ 1,70, o diretor de Política Monetária do banco, Luiz Fernando Figueiredo, assegurava que o BC não se preocupa com níveis do câmbio e que não haveria um "limite, nem para cima, nem para baixo" para a taxa do real frente ao dólar americano.
O BC interveio no mercado depois de deixar o câmbio flutuar livremente desde outubro do ano passado. A intervenção foi feita logo depois de a moeda americana ter atingido a cotação mínima de R$ 1,7090. A entrada do BC surtiu efeito imediato e o dólar reagiu, atingindo a cotação máxima de R$ 1 735. No final do dia, a cotação do dólar fechou em R$ 1,732/R$ 1 730, alta de 0,70% em relação à última quinta-feira. Após a intervenção, o mercado passou a acreditar que R$ 1,70 é o "piso informal" para o câmbio.
Durante uma teleconferência, promovida pela Broadcast, serviço de informação em tempo real da AGÊNCIA ESTADO, em parceria com a Wittel, Figueiredo foi categórico, ao afirmar que se o BC se preocupasse com níveis de câmbio, a política não seria flutuante. Segundo ele, o câmbio flutuante garante a "sustentabilidade e competitividade" da economia do País.
Sobre uma possível intervenção com a aproximação do câmbio a R$ 1,71, Figueiredo disse: "O BC não avisa quando vai atuar. Se avisar, não é mais câmbio flutuante." Figueiredo rebateu críticas de exportadores sobre a valorização excessiva do real frente ao dólar já que as cotações mais baixas dificultariam as vendas ao exterior.
Segundo ele, os exportadores não deveriam "especular" com o câmbio e, em contrapartida, deveriam se proteger contra variações da moeda americana, fazendo operações de "hedge". "Os exportadores não fizeram hedge quando o dólar bateu em R$ 2 e agora reclamam", ponderou. "Só na perda, as pessoas vêem necessidade deste tipo de coisa."

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