São Paulo, 20 (AE) - A intervenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) amenizou os efeitos da greve dos funcionários da empresa, iniciada à meia-noite de hoje e encerrada ainda pela manhã. De acordo com o Sindicato dos Ferroviários, supervisores da companhia, escoltados por seguranças, tomaram o lugar dos grevistas e garantiram a circulação de 30% dos trens das Linhas E e F, zona leste de São Paulo, e de 50% das composições das Linhas A e D, zona oeste. Para evitar depredações, a CPTM liberou as catracas.
Cerca de 200 mil passageiros do sistema - que liga a capital a municípios da Grande São Paulo - foram prejudicados. Com a diminuição da frota em circulação, o intervalo entre as composições subiu de 11 para 40 minutos na maioria das estações e as plataformas ficaram lotadas.
Segundo informações da CPTM, às 7 horas, a operação era normal nas Linhas A (de Franco da Rocha à Estação da Luz) e D (da Luz a Rio Grande da Serra, no Grande ABC). Cerca de 290 mil passageiros usam essas linhas.
Na Linha F, usada por cerca de 100 mil passageiros, a companhia acionou o Paese, plano de emergência que prevê a circulação de ônibus extras entre estações. Só por volta do meio-dia a circulação voltou ao normal. Na Linha E (da Estação Brás a Mogi das Cruzes), que também atende a 100 mil usuários, às 8 horas, todos os trens estavam em circulação.
Em Guaianases, uma das estações mais movimentadas da Linha E, houve princípio de tumulto, às 6h40. Os passageiros que embarcaram no trem com destino ao Brás, lotado, foram avisados pelos alto-falantes que teriam de descer, por falhas técnicas. Muitos ficaram na composição, enquanto outros se aglomeravam na plataforma. Após meia hora de sufoco, alguns passageiros decidiram sentar nos trilhos.
A correria começou quando operadores informaram que o trem substituto estacionaria na mão contrária. Para não perder lugar, os passageiros pularam nas linhas. Dar a volta em toda a plataforma significaria esperar mais uma hora para chegar ao trabalho.
Passageiros informaram que, quando do anúncio da desocupação, houve quebra-quebra dentro do trem. Eles afirmaram que o condutor só conseguiu sair com o apoio dos seguranças.
À tarde, o Sindicato dos Ferroviários adiou de vez a paralisação, que a entidade ainda ameaçava estender até a noite de amanhã (21). Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), trabalhadores e a direção da companhia aceitaram criar uma comissão para definir quanto cada funcionário terá direito a receber por conta do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A categoria exige o pagamento de 500 reais relativos ao PLR de 1997, R$ 1.200,00 do programa de 1998 e a participação nos resultados deste ano. A comissão terá até 30 de janeiro para concluir o trabalho, prazo durante o qual não poderá haver demissões na empresa.
O presidente do sindicato, José Mendes Botelho, evitou considerar a greve suspensa. Ele disse que, com a proposta do TRT, a paralisação foi adiada até 30 de janeiro.

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