Ilha de Imrali, 04 (AE-AP) - O juízo do líder rebelde curdo Abdullah Ocal foi interrompido nesta sexta-feira (04) quando um veterano ferido do conflito tirou sua perna mecânica e a exibiu gritando na sala de audiências.
Após um breve recesso para restaurar a calma, o juiz Turgut Okyay suspendeu as audiências até a próxima terça-feira e pediu aos promotores que se preparassem para suas argumentações finais.
"Onde estão meus direitos humanos?", gritou Naim Karapacik, que perdeu sua perna após pisar em uma mina terrestre durante ofensiva contra os rebeldes realizada em 1995 no norte do Iraque. Outro veterano, Mahir Akcelik, pegou a perna e perguntou: "Quem prestará contas por esta perna?"
O protesto dos veteranos ocorreu depois que um dos advogados de defesa de Ocalan queixou-se que as famílias dos rebeldes mortos no conflito não haviam sido convidadas para o juízo, enquanto familiares e representantes de milhares de soldados mortos haviam sido chamados.
A queixa causou alvoroço entre as famílias e seus advogados. Okyay ordenou quatro advogados a saírem da sala do tribunal antes convocar o recesso.
A expectativa na Turquia é de que Ocalan será declarado culpado e condenado à pena capital por sua responsabilidade na morte de 37.000 pessoas ao longo da luta armada contra Ancara.
Líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Ocalan foi preso pelas autoridades turcas em 15 de fevereiro em Nairóbi. Ele recebeu abrigo de diplomatas gregos no Quênia após passar meses tentando encontrar um país que lhe garantisse asilo.
Sua prisão revoltou os curdos e seus simpatizantes, que realizaram protestos violentos em toda a Europa. Alguns chegaram a atear fogo ao próprio corpo; outros sequestraram ocidentais. Mais de dez pessoas morreram.
Durante 15 anos, as guerrilhas comandadas por Ocalan enfrentaram os soldados turcos nas montanhas do sudeste do país. Eles reivindicam a independência da região ou, pelo menos, a autonomia do povo curdo.
Ocalan formou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão em 1978. Desde o início da campanha separatista, em meados dos anos 80, cerca de 37.000 pessoas morreram, a maioria curdos.
A Turquia rejeitou os apelos de Ocalan por uma solução negociada para o conflito, uma vez que encara qualquer expressão de nacionalismo curdo como uma ameaça direta à sua soberania. Emissoras de rádio no idioma curdo são consideradas ilegais na Turquia e os ativistas pró-independência são rigidamente monitorados.
Os guerrilheiros curdos reelegeram Ocalan como seu presidente após a sua captura. O grupo responde agora por intermédio de uma liderança coletiva, que vem repetindo a convocação de Ocalan por uma solução negociada.

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