Interrogados presos na Operação Tentáculos
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segunda-feira, 27 de junho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um suspeito de participação no esquema de tráfico de drogas, roubo e furto de veículos e homicídios desmantelado com a Operação Tentáculos, que teve início no último dia 16, foi capturado por policiais daDelegacia de Homicídios de Curitiba. Identificado pelo apelido de Sky, ele seria ex-policial militar (PM). Quando foi expulso da corporação, estaria lotado no 12º Batalhão da PM, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Segundo o delegado Luís Cartaxo de Moura, o suspeito negou que seja Sky, informação confirmada por um PM preso. ''O que liga este suspeito ao esquema é um telefonema que partiu da casa da mãe dele. Há a possibilidade de que Sky tenha telefonado desta residência. Por isso, até que seja comprovado se este suspeito é realmente Sky ou não, a identidade dele será mantida em sigilo'', afirmou o delegado.
Caso o detido seja mesmo Sky, dos 28 mandados de prisão expedidos no dia 16, apenas a prisão do advogado criminalista Peter Amaro de Souza continuaria pendente. De acordo com Cartaxo, a operação resultou em 33 prisões. Além dos 27 mandados cumpridos no dia 16, outras seis pessoas foram presas em flagrante.
Hoje, Cartaxo deverá encaminhar o inquérito ao Fórum com um requerimento para que as investigações continuem. Os detidos deverão ser indiciados por homicídio, tráfico de drogas, roubo de veículos e formação de quadrilha. O assassinato do major Pedro Plocharski, 49 anos, em janeiro deste ano, foi o ponto de partida para a desarticulação do grupo, integrado por vários policiais do 13º Batalhão da PM. Plocharski, que era subcomandante do 13º BPM, foi morto porque teria descoberto o esquema.
Ontem, nove presos que estão detidos no Centro de Observação Criminológica e Triagem (COT), no bairro Ahú, foram levados para a sede da Delegacia de Homicídios para serem interrogados pelos delegados de Homicídios, Furtos e Roubos, Furtos e Roubos de Veículos, Antitóxicos e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Dos nove, oito são policiais militares e têm direito a prisão especial. Só o ex-tenente Alberto da Silva Santos, que foi expulso da PM, não retornaria ao COT. Ele provavelmente seria transferido para uma penitenciária.
Antes do assassinato do major, Santos já cumpria pena em regime semi-aberto na Colônia Penal Agrícola pelo incêndio na Procuradoria de Investigações Criminais (PIC), em 2000. Ele é suspeito de ser autor dos tiros que mataram o major e teria contado com a ajuda de Moacir Possamai Girardi, ex-soldado da PM, que teria dirigido o veículo no dia do crime. Mais dois soldados, Sandro Delgobo e Ari Camargo, que também foram ouvidos ontem, também teriam participado do assassinato.
Além do ex-tenente e dos dois soldados, seriam interrogados ontem o coronel da reserva Lucio Matos Junior, os soldados Jean Carlos Ferreira Moraes e Altair Carreiro, o subtenente Eloir Antonio Padilha, o sargento Ademir Leite Cavalcanti e o capitão Rui Noé Barroso Torres.
Até o final da tarde, seis dos nove detidos haviam prestado depoimento. ''Há muitas contradições nos testemunhos, o que indica uma grande dose de mentira'', comentou Cartaxo.(Colaborou Fábio Galão)


