Porto Alegre, 26 (AE) - A Interpol poderá investigar o navio Bahamas, de bandeira maltesa, que deveria ser afundado na sexta-feira mas, estranhamente, foi interceptado em alto mar no mesmo dia e levado para local desconhecido.
A solicitação foi feita nesta segunda-feira (26), pela superintendência da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, depois de transmitir pedido do mesmo gênero do governo gaúcho. O secretário de Transportes do Estado, Beto Albuquerque, resolveu apelar à PF e à Interpol depois das suspeitas levantadas sobre uma carga preciosa - talvez diamantes ou drogas - que o Bahamas poderia estar carregando em algum de seus compartimentos.
Considerou-se especialmente estranho o interesse da proprietária do barco, a empresa suiça Chemoil Internacional, em montar uma grande operação em alto mar para interceptar uma embarcação condenada - o interior do Bahamas está destruído pela mistura das 12 mil toneladas de ácido sulfúrico que carregava com a água do mar - e que dificilmente poderá suportar uma viagem de 30 dias até a Grécia, supostamente seu destino. No sábado, perdeu-se o contato com a embarcação que, no dia anterior, já estava distante 500 quilômetros da costa brasileira.
Com sua carga tóxica e um rombo no casco, o Bahamas encalhou no porto de Rio Grande/RS em agosto de 1998. Receando uma explosão, as autoridades portuárias permitiram que nove mil toneladas do ácido fossem jogadas no mar. Depois, porém, a Justiça Federal determinou a interrupção do despejo.
A empresa holandesa Smit Tak colocou 28 grandes bóias no interior do Bahamas para fazê-lo flutuar novamente. O cargueiro foi rebocado para alto mar, onde as bóias seriam retiradas e o naufrágio induzido em um ponto do oceano Atlântico onde a profundidade atinge 3,5 mil metros.
Foi quando apareceu o rebocador Salvage Giant, a mando da Chemoil, para retomar o comando do navio, o que ocorreu às 17h de sexta-feira. Desconfia-se que o Bahamas poderia estar sendo conduzido para um porto do Uruguai ou Argentina.

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