Interpol e PF montam operação para prender traficante
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Murilo Fiuza Melo e Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 23 (AE) -As Polícias Internacional (Interpol) e Federal (PF) montaram uma das maiores operações policiais realizadas no País para prender o traficante Marcos Vitor Guerra. Em depoimento na PF, a escrivã Betriz árias - que teve hoje a prisão prorrogada por mais dez dias - disse que o juiz Leopodino Marques do Amaral se encontrou com Guerra, que iria fazer denúncias de venda de sentenças no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso.
Guerra, que faz parte da conexão internacional de drogas entre Brasil, Bolívia e Paraguai, disse que quatro traficantes condenados em Cuiabá em julho de 1998 foram absolvidos porque os advogados deles compraram as sentenças. Os traficantes são: Filogônio Pedroso de Lima, José Carlos Nogueira, o piloto de avião José Ernesto Patinõ Gracer e José Carlos de Lima.
Hoje, os irmãos traficantes Deusdete e Cludemir Rodrigues Dutra foram assassinados em Rondonópolis (Sul do Estado). Os dois faziam parte de uma quadrilha liderada por Maria Luíza Almeirão, condenada a 21 anos de prisão, que tinha ligações com o juiz José Geraldo Palmeiras, um dos membros do Judiciário de Mato Grosso denunciados por Amaral.
Segundo uma fonte da PF, Beatriz confirmou que viajou no dia 3 com o juiz e o tio Marcos Peralta, no carro do magistrado, para Ponta Porã (MS), onde Amaral se encontrou com Guerra. Os três encontraram-se no Hotel Beira Rio, em Várzea Grande (Região Metropolitana de Cuiabá), onde Amaral estava hospedado. Depois de ter dispensado o motorista Orlando Fernando Sampaio, o juiz viajou com os dois, após ter recebido várias ligações no celular.
A escrivã disse que aproveitou a viagem para visitar com o tio parentes que moram em Porto Murtinho (MS). Amaral teria ido sozinho para se encontrar com o traficante. Ao saber do assassinato do juiz, Beatriz disse que entrou em pânico, veio para Cuiabá e foi até o velório de Amaral. Assustada com o crime
ela tomou emprestado documentos de uma amiga e viajou para Campo Grande num ônibus da empresa Mota. Ao saber que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, a escrivã pediu ao irmão Jomildo árias que negociasse com a PF a entrega.
As denúncias de ligação entre traficantes e membros do Judiciário em Mato Grosso fez com que Assembléia Legislativa aprovasse hoje requerimento dos deputados Serys Slhessarenko (PT) e José Riva (PSDB) para a formação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. A CPI atuará como um suporte institucional e operacional à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal.
"Estamos prontos para investigar este problema, que tem acabado com a vida de jovens, desestruturado famílias e denegrido a imagem do próprio Mato Grosso", afirmou Riva.
Ele ressaltou que a instalação da CPI atende ainda a um pedido do deputado federal Magno Malta (PPB-ES), presidente da CPI da Câmara Federal.
Preocupados com a morte de Amaral, muitos desembargadores devem autorizar a quebra de sigilo bancário. O desembargador Ernani Vieira disse hoje que entregou ao presidente da CPI do Judiciário, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), uma procuração autorizando a realização de uma devassa em todas as contas bancárias dele e da esposa dele. "Gostaria que vasculhassem minha vida, pois sempre procurei agir com dignidade e, agora, tenho de conviver sob a suspeita de todas estas acusações que me foram feitas", afirmou.


