Internos fazem reféns e destroem o Educandário
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Os 39 adolescentes que estavam na Unidade Oficial de Internação de Londrina (Usoil), conhecida como Educandário, fizeram uma rebelião no final da tarde de ontem. O prédio foi praticamente destruído e três internos teriam fugido. Ontem à noite todos os internos foram transferidos para unidades prisionais da cidade. Segundo informações extra-oficiais o prédio seria interditado hoje.
O ex-interventor do Educandário, Márcio Filla, informou que, por volta do meio dia de ontem, um menor teria jogado uma pedra em um educador. O funcionário teria revidado, batendo no adolescente. Logo após o almoço, Filla afastou o educador.
Segundo a vice-presidente do Conselho Tutelar Norte, Rita Bastos, os outros internos, supostamente descontentes com a agressão, teriam pego as chaves das celas e começado a quebrar a unidade. Na confusão, os garotos fizeram quatro reféns. ''Todo o sistema elétrico e hidráulico foi destruído'', confirmou Márcio Filla, um dos reféns.
Segundo Rita Bastos, os adolescentes reclamavam de que não podiam tomar banho de sol e que estavam esperando a realização das prometidas oficinas. Para ela, ''o Educandário é um cadeião de quinta categoria.''
Filla argumentou que as atividades psicopedagógicas (oficinas) já estavam sendo realizadas. Quanto ao banho de sol, ele afirmou que os adolescentes não estavam saindo das celas por causa da ''reforma pedagógica'' que estava sendo implantada.
Rita Bastos afirmou ainda que os internos reclamaram da forma ''truculenta'' de um dos educadores. Ela analisou: ''A unidade exige tratamento enérgico. E quem vai ser exigente? O educador que trata diretamente com eles'', disse ela, referindo-se ao cumprimento de normas institucionais.
O Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) foi chamado, mas não chegou a entrar no prédio. Durante a noite, os menores foram transferidos para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
Angustiada, a doméstica Marli Roberto, que mora em Cambé (13 quilômetros a oste de Londrina), foi à unidade assim que soube da rebelião. ''Meu filho está aí dentro e vim saber notícias'', disse preocupada.
Desde que foi inaugurado, em julho, o Educandário contabilizou 11 fugas e o mesmo número de situações de tensão entre tentativa de fuga e princípio de rebelião.
Em visita ao Educandário na semana passada, o secretário do Trabalho, Emprego, e Promoção Social, padre Roque Zimermann, disse que ''a unidade funcionava como um relógio''.


