Internos fazem novo motim na Febem
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Agência Folha 
Um erro de avaliação da direção da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) provocou ontem mais cinco horas de revolta na unidade que abriga adolescentes infratores no Tatuapé, zona leste da cidade de São Paulo. Desde as 9 horas de anteontem, cerca de cem garotos fugiram do complexo do Tatuapé, segundo o diretor da Febem, Eduardo Roberto Domingues da Silva, incluindo cerca de 30 jovens que pularam do ônibus durante uma transferência.
Segundo Marcelo Cury, chefe de gabinete da Febem, essa foi a maior rebelião desde 1992, quando cerca de 400 menores fugiram do complexo do Tatuapé. Ontem pela manhã, cerca de 200 menores das unidades 12, 13 e 14, que foram parcialmente destruídas na rebelião de ontem, ficaram circulando pelo chamado sistema viário do complexo.
Os funcionários não conseguiram agrupá-los, e a direção acionou a presidência, que chamou a tropa de choque da Polícia Militar. O que me chegou foi algo bem maior do que realmente estava acontecendo, e eu decidi então pedir a ajuda da Polícia Militar. Mas queria deixar claro que a atuação da tropa de choque foi extremamente profissional e se tornou necessária até para garantir a integridade física dos meninos lá dentro, disse o presidente da Febem.
Quando os jovens foram avisados pelos monitores de que a tropa de choque iria invadir o complexo, tomaram funcionários como reféns - segundo a direção, seis pessoas foram feitas reféns. Dois funcionários foram ameaçados com estiletes em seus pescoços.
A PM invadiu o complexo às 10h10, jogando bombas de efeito moral e atirando com balas de borracha. Pouco depois, o supervisor técnico do complexo, Tadeu João Rodigério, afirmou que a situação havia sido controlada, e cerca de 120 garotos estavam aguardando no pátio para serem revistados.
Às 12h30, outro foco de rebelião foi detectado na unidade 5 e mais uma vez foi contido pela tropa de choque. Às 15h, Silva anunciou o fim da rebelião, mas afirmou que a tropa de choque permaneceria no local pelo menos até a noite de ontem, quando a situação já estivesse completamente calma.
Segundo Silva, apenas um menor, que havia sido feito refém ontem, ficou ferido, e alguns outros teriam algumas escoriações. As mães dos menores dizem que eles foram espancados. Silva se reuniu com cerca de 150 mães e prometeu divulgar ainda hoje os nomes de todos os jovens que estão no Tatuapé e suas condições. Eles estão de cuecas e com as mãos nas cabeças, com a tropa de choque. É assim que a rebelião está contida, disse o padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Menor.


