Internos do Creslon inauguram tornozeleiras
Londrina - Cerca de 45 internos do Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon) serão os primeiros apenados em regime semiaberto do interior do Paraná a usar a tornozeleira eletrônica. O equipamento, monitorado por GPS, permite que o detento trabalhe fora da unidade durante o dia e até cumpra a pena em regime domiciliar. Segundo a secretária de Justiça (Seju), Maria Tereza Uille Gomes, que esteve presente na cerimônia de lançamento do projeto em Londrina ontem pela manhã, serão disponibilizadas mil tornozeleiras para os detentos das unidades da cidade. Em 30 dias, um novo grupo de até 100 internos do Creslon poderá usar o dispositivo eletrônico. A primeira experiência foi testada no início do mês com 14 detentas do Centro de Regime Semiaberto Feminino de Curitiba (CRAF). A Seju informou que a prioridade para o uso do equipamento é para presos do regime semiaberto e provisórios (uso consentido de 90 dias), presas grávidas ou que tenham filhos, idosos e pessoas com deficiência, todos envolvidos em crimes não violentos e que tenham bom comportamento.
A secretária acrescentou que o prazo e as condições para o uso da tornozeleira serão determinados pelos juízes das Varas de Execuções Penais (VEPs), mas que a decisão de utilizar ou não o dispositivo será do próprio detento. No Creslon, o interno Valdecir, de 23 anos, testou o equipamento ontem e disse que quer usá-lo para poder trabalhar e ficar mais perto da família. Preso por assalto, ele já trabalha numa fábrica em Cornélio Procópio das 7h30 às 19 horas. "Quero sair daqui de cabeça erguida", afirmou. Sua pena, segundo ele, termina em fevereiro.
Maria Tereza Uille Gomes disse que a implantação da tornozeleira eletrônica gera a expectativa de "inaugurar um novo momento na história da execução penal". "Tradicionalmente nós sempre trabalhamos com o conceito de que a prisão deve ser cumprida dentro da cela. Hoje nós estamos mostrando que é possível, principalmente em relação ao regime semiaberto, em que os presos conseguem autorização para trabalhar fora e dormir à noite no estabelecimento penal, que eles durmam na sua própria residência, mas com monitoramento eletrônico."
Segundo Maria Tereza, caso o detento quebre a tornozeleira e empreenda fuga, a empresa responsável pelo monitoramento via GPS, de Curitiba, é automaticamente acionada e comunica as Polícias Civil e Militar. "O preso é fiscalizado e monitorado passo a passo por GPS", assegurou.(D.P.)





