São Paulo, 13 (AE) - Aglomerados nas janelas dos banheiros, cerca de oito menores tentavam dar seu recado depois de dois dias de rebelião. Queriam denunciar maus-tratos dos funcionários e avisar que, se fosse necessário, fariam mais um motim. "Dêem uma olhada nas alas; vocês vão ver um monte de paus e pedras", disse um deles.
Eles foram flagrados pela reportagem na parte de trás da instituição, mas saíram rapidamente após os monitores alertarem o fotógrafo de que ali era um local proibido. As histórias de agressão foram confirmadas por outros internos, que também alegaram facilitação de fuga por funcionários. T.E., de 16 anos, que fora libertado hoje após a expiração de sua pena, contou que os monitores abriram os portões e anunciaram: "Quem quiser vai, a porta está aberta." A única ressalva por parte dos servidores, contou T., era: "Só não trisca em nós." T. identificou o monitor que aparece na fita da TV Globo com o rosto tapado. Segundo o menor, o monitor é conhecido como "Boy", funcionário antigo. A presidência da Febem informou que vai abrir sindicância para averiguar essas agressões.
O interno P.A., de 14 anos, tinha cortes na cabeça e estava com o corpo repleto de hematomas. As informações foram fornecidas por sua mãe, Ana Cláudia Tavelli, que conseguiu visitá-lo no fim da tarde de hoje. "Ele estava todo machucado, cheio de manchas e muito abatido."
P. foi um dos menores que passou a noite na mata. Foi capturado às 6 horas de hoje pela polícia. Disse à mãe que fugiu porque começou a apanhar no pátio dos outros colegas, que exigiam sua participação. "Entre apanhar dentro ou fora, ele preferiu sair."

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