Interno de 18 anos confessa ter degolado menor durante rebelião
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 28 (AE) - O assaltante de postos de gasolina Fábio Antônio de Castro, de 18 anos, e M.D.D., conhecido por Marcelo, confessaram hoje na Seccional Sul de Polícia ter degolado a golpes de machadinha um menor durante a rebelião de segunda-feira na Febem Imigrantes. "Ele merecia morrer e se tiver que fazer de novo eu faço", declarou Castro. A vítima, ainda não-identificada, teve o corpo e o rosto queimados com maçarico e álcool. Em seguida, foi degolada e teve as pernas e os braços amputados, também a golpes de machadinha.
Uma das pernas do menor foi encontrada hoje à tarde, nos fundos da unidade. Os policiais procuraram pela machadinha mas não tiveram sucesso. Castro disse ter jogado a cabeça do menor na direção de um grupo de pessoas, na entrada do Complexo Imigrantes, para chamar a atenção das autoridades para o que estava ocorrendo. "Com a cabeça do alcaguete, subi no telhado e joguei para mostrar que a gente não estava brincando", disse. O delegado Olavo Reino Francisco, responsável pelo inquérito, indiciou Castro por homicídio doloso, acrescentando que houve requintes de perversidade. Ele pediu à Justiça a prisão temporária do assassino, por 30 dias. Febem - Se for condenado, Castro poderá cumprir de 12 a 30 anos de reclusão. Ele entrou na Febem no dia 30 de setembro. Fora preso assaltando um casal. Na polícia e no SOS Criança mentiu, dizendo que tinha 17 anos. Mas havia completado 18 anos no dia 17 de setembro. Era fugitivo da Febem do Tatuapé. Marcelo estava na Febem desde agosto, acusado do roubo de carros.
Policial experiente, o delegado ficou impressionado com o relato "frio e natural" de Castro e Marcelo, que descreveram como mataram, degolaram e esquartejaram a vítima. Castro contou que, durante a rebelião, ele, Marcelo, Pablo, Baianinho, Satanás e Monstrinho seguiram para o pavilhão do "seguro", no qual estavam os jovens ameaçados de morte pelas quadrilhas que dominavam as unidades da Febem Imigrantes.
Segundo ele, foi a oportunidade que tiveram de se vingar
já que não havia monitores para fiscalizar. Explicou que o degolado era informante dos monitores e "vivia mexendo com as irmãs e namoradas dos irmãos nos dias de visita". Não soube dizer aos policiais da Seccional Sul o nome do jovem morto e alegou que ninguém tem interesse na Febem de saber como se chamam os "alcaguetas dos monitores".
Com a destruição dos pavilhões, Castro disse ter seguido com um grupo de internos para a sala de manutenção, onde pegaram o machado, o maçarico e algumas facas. Depois, foram para a enfermaria e recolheram dezenas de garrafas com álcool. Espancado - Antes de ser degolado o menor foi espancado pelos internos. "Ele implorava para eu não matá-lo, mas comigo não tem piedade, porque sou um revoltado", afirmou Castro que, aos 15 anos, brincando com fogos de artifício, em Santos, onde mora sua família, perdeu a mão esquerda e um dedo e meio da mão direita. Autor de assaltos a postos de gasolina em Santos, Castro revelou que a intenção era a de matar.
Marcelo contou como fez para usar o maçarico. "Comecei queimando a cara dele e o resto do corpo com o maçarico e o Fabião jogou álcool nas pernas, tacou fogo, arrastou e deu três golpes, até cortar a cabeça do dedo-duro", declarou. Castro relatou ao delegado que foram outros internos os responsáveis pela amputação dos braços e das pernas do rapaz. "Eu só cortei a cabeça e joguei para a população". Fez questão de repetir que não sente remorsos. "Quando faço uma coisa eu não me arrependo". Os outros três mortos da rebelião, segundo Castro, também estavam "jurados" e "mereciam morrer".
Os autores das mortes fizeram um pacto para não falar à polícia ou ao Ministério Público. Castro acreditava que não seria descoberto, porque também "tinha a certeza" que os monitores nada falariam. "Eles sabem o que a gente pensa de um dedo-duro". A polícia soube hoje que Pablo foi transferido para a Febem de Ribeirão Preto. Satanás e Baianinho estão no Centro de Observação Criminológica (COC), no Complexo Penitenciário do Carandiru, e Monstrinho continua na unidade Imigrantes e deve ser ouvido amanhã.


