Brasília,DF- Menos de um mês após denúncias sobre favorecimento de pacientes a pedido de políticos, o governo mudou ontem as regras para transplante de medula óssea. Para evitar fura-filas e garantir a transparência do processo, a lista dos pacientes que dependem de doador e de transplante estará disponível na internet a partir de maio. O médico e o paciente receberão uma senha e poderão acompanhar a busca do doador e o progresso na fila, a qualquer momento.
O governo investirá até dezembro R$ 24 milhões, quase dez vezes mais do que no ano passado, para tornar mais rápida a busca em bancos nacionais e internacionais de doadores compatíveis com os 600 pacientes que estão na fila.
Ao anunciar as mudanças o ministro da Saúde, Humberto Costa, garantiu que o novo sistema já estava em estudo desde o início de 2003 e não foi acelerado pelas denúncias sobre pressão de políticos para beneficiar pacientes, que envolveram até o vice-presidente, José Alencar. A ingerência política foi denunciada pelo então diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea (Cemo), Daniel Tabak, que acabou se demitindo.
O Cemo, que gerenciava o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), passa a ter apenas a função de centro transplantador. O Redome será administrado por um grupo ligado diretamente à direção do Instituto Nacional do Câncer (Inca). ''Nós não tínhamos acesso à lista nem ao planejamento dos gastos'', revelou o ministro, reclamando ainda que a lista de pacientes estava inchada. Não são 2 mil, mas apenas 600 o número de pessoas que realmente dependem de doador não aparentado.
Costa informou que a lista antiga mantinha até o nome de pacientes que já morreram. Ele prometeu ampliar de 84 para 156 os transplantes desses casos, já neste ano. Segundo o ministro, 41 pacientes já têm o doador identificado - 23 estão no exterior - e serão submetidos a cirurgia imediatamente. Os demais inscritos serão recadastrados.
Costa quer ampliar o número de doadores voluntários de medula. Ontem o banco nacional tem 40 mil nomes e o ideal seriam 360 mil. O governo promoverá campanhas esclarecendo que não há riscos para o doador, que volta a trabalhar no dia seguinte à coleta de 10% de sua medula e ela é recomposta rapidamente.

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