'Internet não leva à compulsão'
Antes de se criar polêmica sobre o tema, é necessário diferenciar hobby de distúrbio de comportamento. Em termos numéricos, sabe-se que um terço das consultas aos principais sites de busca do mundo estão relacionadas ao tema sexo, mas a quantidade de viciados em cibersexo, aqueles que sentem um impulso irrefreável de praticar sexo virtual, é mínima. Isso porque a compulsão por sexo virtual só ocorre em pessoas que tenham predisposição a um comportamento compulsivo.
A Internet não torna a pessoa compulsiva, esclarece o psiquiatra Oswaldo Rodrigues Júnior, membro da diretoria da Federação Latino-Americana de Sociedades de Sexologia. Ele explica que é possível a pessoa descobrir-se compulsiva ao ter acesso ao conteúdo erótico da rede, mas jamais se tornará compulsiva simplesmente porque a rede disponibiliza uma infinidade de sites e salas de bate-papo dedicados ao sexo. Geralmente, são pessoas que já têm alguma dificuldade de relacionamento, complementa Bacarelli.
O psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Proad), diz que são poucos os casos que têm aparecido em seu ambulatório, e todos eles estão ligados a pessoas que já têm um histórico de compulsão. São os tradicionais compulsivos por sexo, que começam a usar a Internet para obter prazer. Mas ele alerta que o comportamento pode ocorrer também em quem nem sequer desconfia que tem tendência à compulsão.
Para saber quando o lazer está sendo prejudicial, o internauta deve estar atento ao próprio comportamento. Quando o sexo virtual começa a
tomar lugar de outra atividade, substituindo situações em que haja possibilidade de um relacionamento real, já se torna um problema. Outro indicativo é o sentimento que acompanha as investidas sexuais virtuais. O desejo deixa de ser saudável quando vem seguido de um sentimento íntimo de insatisfação, observa Campanella. (M.D.O)





