Internet melhora serviço e muda relação com cliente
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sexta-feira, 26 de março de 1999
Por Leda Beck (correspondente) 
Denver, Colorado, 27 (AE) - Velocidade, banda larga para transmissão de dados e criatividade, além de excelentes relações com o cliente (incluindo suporte e serviços) e customização a qualquer preço foram recomendações também dos outros dois palestrantes principais do evento. "Em duas ou três décadas, a economia da Internet vai mudar absolutamente tudo", avisou John Chambers, CEO da Cisco Systems, que nos últimos três anos sextuplicou o faturamento de sua empresa.
A Cisco fatura, no momento, US$ 7,5 bilhões por ano e é uma das líderes mundiais em redes para a Internet. Chambers é também membro do comitê de política comercial que assessora o presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos."Em vez de mera ferramenta, a tecnologia será uma vantagem competitiva fundamental", disse ele. "Do ponto de vista das empresas, o fator risco se reduz a uma questão de execução adequada", acrescentou.
Ele também foi muito incisivo ao afirmar que os governos têm um papel fundamental nesse processo. "Como republicano que sou, nunca imaginei que um dia fosse dizer isso, mas as parcerias dos governos com as empresas são essenciais, e nós, empresários, não podemos dizer que somos contra a chamada ingerência do Estado na economia, exceto quando é vantajoso para nós", ponderou.
Chambers tem encontrado chefes de Estado de todo o mundo e diz que não há muitos que percebam a importância da transformação que está em andamento. Mas enumerou vários: Tony Blair, do Reino Unido, "que está copiando tudo que Clinton fez, porque Clinton e Al Gore (o vice-presidente dos EUA) entenderam muito bem o que está em jogo"; e os governos da China, de Cingapura, da Malásia, da Austrália e da Polônia.
Chambers teve um encontro privativo com Jiang Zemin e deixou o chinês surpreso: "Você está me dizendo que uma pequena empresa em Beijing poderá competir com um gigante inglês?", perguntou o líder chinês a Chambers, que respondeu afirmativamente e lhe mostrou como. Da América Latina, Chambers citou apenas o México - e não de maneira positiva: "O país alcançou tardiamente a Revolução Industrial, mas alcançou, e no entanto, quem se beneficia disso? Apenas 10% da população, porque os outros 90% não receberam educação suficiente. A situação será ainda mais grave na era da Internet."
Com base nesse exemplo, Chambers ponderou que as duas grandes questões da próxima eleição americana serão a economia e a educação. "Sem funcionários bem-educados, não há empresa que consiga ser competitiva nessa nova economia", avisou Chambers. E, embora ele acredite que as empresas têm um papel a desempenhar nessa área (a própria Cisco investe uma fortuna em projetos educacionais que se estendem até a escolas públicas), Chambers argumenta que as iniciativas fundamentais são necessariamente do governo.


