Internet exige profissionalização, diz especialista14/Mar, 20:58 Por Marli Prado São Paulo, 14 (AE) - Cerca de 500 jovens universitários assistiram, hoje, à palestra de Jerry Yang, um dos fundadores do Yahoo!, no auditório da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, na esperança de ter uma grande idéia para criar seu próprio negócio na Internet. E de preferência ganhar milhões de dólares, a exemplo do empreendedor nascido em Taiwan e naturalizado norte-americano, que está desde segunda-feira no Brasil. Mas empreendedores, executivos e headhunters que atuam na rede são enfáticos. O dinheiro que se pode ganhar na Internet não é fácil. Exige trabalho duro, flexibilidade e boa formação acadêmica e profissional. Um curso de master business administration (MBA) é obrigatório. Yang fez o dele na Stanford University, na Califórnia, como vários dos empreendedores e executivos brasileiros. Stelleo Tolda, diretor-presidente da Mercado Livre, site de compra e venda na rede, costuma brincar: sua empresa é a quarta maior contratadora entre os formandos do MBA de Stanford da turma de 1999, atrás do banco de investimentos Goldman Sachs e das consultorias McKinsey e Boston Consulting. É porque ele e os quatro sócios fundadores da companhia são originários dessa turma. No Superbid, comunidade virtual lançada por cinco sócios em parceria com o Unibanco, não é diferente. Os profissionais têm, em sua maioria, formação no mercado financeiro e consultorias, e todos fizeram MBA em Stanford. A escola não é um passaporte para a Internet, mas ajuda. Principalmente pela proximidade dos casos de sucesso. "O Jerry Yang é altamente conhecido em Stanford, ele circula bastante por lá, dá palestras", comenta Tolda. "E o fato de a história dele ser muito comum, de alguém que teve uma boa idéia e foi atrás para torná-la real." Mas recusa-se a tratar Yang como um mito. "A Internet é feita de suor e sorte, é preciso uma boa idéia, mas é preciso suar, trabalhar em média 14 horas por dia." Alexandre Bourgeois chairman da Superbid, lembra que no mundo da Internet tudo é muito rápido e os heróis de hoje podem ser os fracassados de amanhã. Ele cita o exemplo de Jeff Bezos, criador da Amazon.com. Há um ano, Bezos era visto como inovador e homem de sucesso na rede. Depois dos contínuos prejuízos e da reestruturação da Amazon, a genialidade de Bezos começou a ser questionada. Bourgeois acredita que a primeira fase da Internet, de aventureiros lançando-se na rede já passou. "Agora é a onda da profissionalização", diz. "Quem quiser vencer e participar da nova economia precisa montar um time com uma estrutura da velha economia." Carlos Diz, consultor da empresa de headhunting Spencer Stuart e especializado na busca de executivos para o mercado de Internet, faz coro com Bourgeois. "O negócio da Internet é virtual hoje, mas só sobreviverá quem tiver a visão de uma empresa real, e esteja preparado para transformar-se numa IBM." Ele conta que vários executivos ligam pedindo uma colocação na área, porque paga bem. Mas ele não incentiva mudanças radicais. "Uma experiência mal-sucedida pode ser traumática, porque, apesar de uma carreira bem estruturada, uma passagem num projeto mal-sucedido pode significar o sucesso da vida profissional."

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