Internet de bolso terá 400 milhões de usuários em 2004
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domingo, 19 de março de 2000
Por Deborah Kanarek 
São Paulo , 20 (AE) - A Internet estará no bolso de cerca de 400 milhões de usuários em 2004, segundo previsão da empresa de telefonia Ericsson, uma das principais fabricantes de equipamentos celulares. É, sem dúvida, um mercado apetitoso, considerando-se todas as possibilidades que serão geradas por meio dessa tecnologia. Para citar apenas um exemplo, a Internet Móvel vai criar um canal de vendas completamente novo, no qual o usuário estará apto a fazer compras on-line onde e quando quiser
apenas com o celular. Também denominada de terceira geração dos celulares ou 3G, é, de acordo com especialistas, o próximo grande passo da indústria. Por isso, as tecnologias e os padrões de frequência que serão adotados durante o processo de migração para o 3G envolvem discussões acaloradas, nas quais é difícil compreender o limite entre o interesse e o argumento técnico.
O nó da banda C, que está em processo de licitação na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), é uma das primeiras batalhas da nova guerra, que permitirá que a transmissão evolua de voz a multímidia. Segundo o presidente da Anatel, Renato Guerreiro, "uma decisão errada poderá afetar não apenas a indústria instalada no País, mas todo o funcionamento do sistema celular e de sua interoperabilidade".
A decisão sobre a frequência, que deverá será tomada pela Anatel até abril, está sendo acompanhada com muito interesse, principalmente pelos fabricantes de equipamentos, pois definirá quem serão os participantes da disputa de um dos principais mercados do mundo, avaliado em US$ 10 bilhões.
De um lado, estão os players, que pretendem vir a atuar no Brasil e defendem a adoção de 1.8 GHz para o GSM, também conhecido como padrão europeu, onde se postam basicamente Nokia, Alcatel e Siemens, com 235,4 milhões de usuários no mundo, ou cerca de 53,1% do mercado. Do outro, batem o pé na faixa de 1.9 GHz as empresas ou operadoras instaladas no Brasil, que defendem o uso da tecnologia CDMA. Entre elas, a Lucent, Nortel, Ericsson, Motorola e Qualcomm. O embate prossegue repleto de acusações mútuas, pelas quais os dois lados garantem que visam assegurar o interesse dos usuários, das operadoras e do País, ao abrir espaço para mais e melhores serviços, aumento da competição, geração de empregos e rapidez no ingresso para a 3G.
Para o diretor de Relações Públicas da operadora americana de telecomunicações em Global System Mobile (GSM), Omni Point Terry Phillips, a tecnologia CDMA é mais cara e menos eficiente.
Para Phillips, que esteve recentemente no Brasil, a única solução lógica de abrangência nacional para a introdução do Personal Communications System (PCS), a chamada Banda C da telefonia celular é a escolha da frequência de 1.8 GHz pela Anatel. Durante a visita, ele buscou demonstrar à Anatel que a defesa da tecnologia CDMA/TDMA, feita há cerca de um mês, durante visita do subsecretário de Estado norte-americano para Assuntos Econômicos, Alan Larson, não é consenso nos EUA.
"O país não deve cometer o mesmo erro que os Estados Unidos, onde o Congresso não definiu um padrão com o objetivo protecionista de beneficiar a Qualcomm", criticou. Lá, é usada a frequência de 1.9 GHz para o PCS (a de 1.8 GHz é para fins militares) e a maioria dos celulares está ligada a centrais analógicas (51,4 milhões), seguida pela TDMA (15,8 milhões), CDMA (15,5 milhões) e GSM (6,8 milhões), segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT). Como há, nos EUA, mais de uma operadora em cada região, o roaming automático acontece sem problemas em todo o país, o que não valerá no caso do Brasil. Mas, segundo os que defendem a escolha da faixa de 1,8 GHz, apesar de os EUA terem superado os obstáculos para o roaming interno, estão isolados do resto do mundo.
Phillips não vê motivos para o Brasil apoiar uma política que tem apenas um grande interessado, os Estados Unidos. Ele prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões no Brasil nos próximos anos para a construção de uma nova rede, caso seja escolhida a banda de 1.8 GHz.
Atualmente, as bandas A e B do celular (TDMA e CDMA) só operam em 1.9 GHz no País. O GSM funciona nas duas faixas, mas, segundo o executivo, não atrairá tantos investimentos, caso seja feita a opção por 1.9 GHz. A possível falta de interesse deverá ser justificada pela inviabilidade de uso da principal característica do sistema, a flexibilidade. Por meio do Subscriber Identity Module (SIM) Card, a troca de um pequeno cartão, que fica dentro do aparelho, a tecnologia torna o equipamento adaptável aos vários padrões, garantindo o roaming, quando se passa de uma região à outra, mas apenas em 1.8 GHz.
As atuais operadoras de celulares e as espelhos, futuras adversárias, estão afinadas na defesa da faixa de 1.9 GHz. Veja os principais argumentos delas: - Os roamings nacional e internacional só estão assegurados nessa faixa, uma vez que, nas Américas, essa foi a escolhida e o GSM não existe no Brasil. - Não há, no mundo, um terminal dual band/dual mode que reúna as frequências de 800 MHz e 1.8 GHz. Esse aparelho seria fabricado apenas para o mercado interno, ao custo de R$ 2 mil.
O que dizem as empresas defensoras do GSM e da faixa de 1,8 GHz, onde se incluem operadoras européias e fabricantes como Siemens e Alcatel: - A visão das operadoras é de curto prazo, e essa decisão tem impacto de longo prazo - a ocupação da faixa de 1.9 GHz vai atrasar a introdução da 3G no Brasil para 2008 a 2010 porque será difícil harmonizar com vários países outra faixa para os novos serviços - o roaming internacional está assegurado mesmo com os EUA, onde há uma rede GSM nacional. O nacional será feito
fora do Rio e São Paulo, por meio do TDMA. A Alcatel e a Siemens, defensoras do GSM, vão produzir terminais TDMA/GSM para garantir o roaming entre as duas tecnologias. - O Brasil só tem a perder, em termos de serviços e escala, alinhando-se a dez países das Américas e à Coréia, enquanto o resto do mundo vai adotar a faixa de 1.9 GHz para a 3G.


