São Paulo, 12 (AE) - A profusão de lançamentos de sites e portais na Internet e a ampliação dos já existentes estão motivando uma grande disputa por profissionais das áreas tecnológica, administrativa e de contéudo - as informações veiculadas pelos endereços da Web - , elevando significativamente os salários dos profissionais.
Nas áreas administrativa e tecnológica, a demanda por executivos praticamente triplicou no ano passado nas carteiras de "head hunters". A oferta rarefeita de profissionais qualificados está fazendo com que a remuneração na área de telecomunicações (que envolve a Internet), entre o salário fixo e incentivos, seja, atualmente 35% maior que a de outros segmentos.
Mas é na área de conteúdo que esse fenômeno está chamando mais a atenção. Por ser recente - a abertura de redações por portais e sites intensificou-se nos últimos meses -
há pouco dados confiáveis a respeito do número de profissionais atraídos para esse novo segmento. Mas já são sensíveis os efeitos desse fenômeno nas redações dos tradicionais veículos da imprensa escrita, atingindo em especial os jornalistas de maior renome ou com posições de comando. Incentivos - O fenômeno está sendo responsável, também, pela introdução, nesse meio, de uma forma mais massiva, da remuneração variável, com bônus e a oferta de ações das promissoras empresas de Internet oferecidos como remuneração adicional. Entre fixos e variáveis, há jornalistas recebendo até R$ 40 mil mensais para trocar as páginas dos jornais e revistas pelo jornalismo virtual.
Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Andersen Consulting revela que a Internet é responsável atualmente por cerca de 300 mil postos de trabalho. Essa oferta, considerada pequena para os padrões do mercado de trabalho brasileiro, tende, entretanto, a dobrar a cada seis meses, nos próximos 18 meses. Refluxo - A partir daí, a expansão refluiria para a casa de 30% anuais. "Está todo o mundo fazendo recrutamento de profissionais", afirma Mário Fleck, presidente da Andersen Consulting no Brasil. Ele mesmo, porém, considera que qualquer levantamento a respeito da empregabilidade das empresas da Internet tendem a ficar defasados rapidamente. "As previsões são superadas rapidamente".
Matinas Suzuki, diretor de Conteúdo do iG, provedor de acesso gratuito, está próximo de completar as 50 vagas criadas para jornalistas no site ig.com.br, a ponta visível nas telas dos computadores de investimentos estimados em US$ 22 milhões. Sem revelar números, ele confirma a adoção de incentivos, na forma de remuneração variável, para parte dos profissionais contratados. Mas acredita que os profissionais estejam sendo atraídos "pelo projeto, pela oportunidade de trabalhar na Internet". Investimentos pessoais - Em março, será lançado o portal Lineinvest, direcionado para o segmento de investimentos pessoais, com investimentos de cerca de US$ 45 milhões. Além da análise de rentabilidade e das informações econômicas da Thomson Financial, o portal oferecerá o ON News, um jornal eletrônico destinado especializado em finanças pessoais. A redação contará com 20 jornalistas.
As áreas de conteúdo, entretanto, não estão oferecendo empregos e bons salários apenas para jornalistas. O portal Klique Educação, como o próprio nome diz especializado em educação, recrutou recentemente 30 professores para ministrarem aulas e resolver dúvidas gratuitamente por meio de chats, de acordo com a diretora da empresa, Maria Eugênia Galvão.
O salário, de R$ 3 mil, não têm a mesma exuberância dos números exibidos nos contracheques de jornalistas e executivos instalados em outros sites. Mas são considerados uma boa remuneração para 5 horas de trabalho e para a categoria. O portal já está no ar, mas o serviço de tira-dúvidas deverá entrar em operação em um prazo de 10 dias.