Internações psiquiátricas têm relação com álcool e drogas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
®MDBO¯®MDNM¯Curitiba - Metade das internações psiquiátricas tem alguma relação com dependência química, que tanto pode ser a causa principal como uma causa associada. São casos de depressão, ansiedade, doença do pânico, transtornos de humor ou orgânicos, entre outros problemas. A avaliação é do médico psiquiatra Luiz André Castro, especialista em Dependência Química pela Escola Paulista de Medicina.
Pesquisa feita pelo Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) durante um ano, na cidade de Marília (SP) reforça essa situação alarmante. O estudo mostrou que 16% das pessoas atendidas pelo Serviço Médico de Urgência (Samu) entre agosto de 2004 e agosto de 2005 apresentavam transtornos mentais e de comportamentos (TMC). Esses transtornos foram a segunda causa dos atendimentos de emergência, perdendo apenas para causas externas (20%), e superando fatores como problemas cardiovasculares (11%).
Para o coordenador do departamento da ABP, Ronaldo Laranjeira, esse dado indica que os TMCs não estão sendo atendidos a contento pela rotina dos serviços públicos, desaguando para os serviços de emergência, quando estão em estágios extremos. Castro tem opinião semelhante. Cerca de 12% da população brasileira têm diagnóstico de alcoolismo, sendo que menos de um terço dessa população chega a tratamento especializado.
''Nosso atendimento é limitado à parcela dos pacientes que tem uma dependência mais grave, que têm problemas clínicos ou outros transtornos associados'', explica. Outra parte, segundo ele, no máximo é atendida pela rede básica de saúde. Essa maioria, de acordo com ele, normalmente procura atendimento para tratar problemas clínicos associados, como gastrite, hipertensão, e não é encaminhada pela rede pública para tratamento específico.
''O mais comum são pacientes que evoluem para um quadro depressivo com o uso prolongado das drogas, em especial o álcool, o que pode melhorar com a abstinência'', explica Castro. Segundo ele, também é comum, após anos de consumo de drogas, a pessoa adquirir comportamentos cognitivos, como a falta de memória ou de concentração.
As drogas de maior incidência são o álcool e o tabagismo. Em muitos desses casos o paciente procura atendimento voluntariamente, ao contrário do que ocorre com os viciados em outras drogas, como a cocaína e crack. Comparado a outros países. o problema não é tão grave no Brasil, onde estudos mostram que 2,3% da população das cidades grandes já experimentou cocaína. O problema é que, além de não procurar o serviço, a taxa de adesão ao tratamento, pelos dependentes químicos, também é baixa. ''Eles têm o problema do estigama. Muitos chegam com outros problemas sociais e até legais'', diz.


