Paris, 07 (AE) - Os social-democratas do século 21 vão reunir-se a partir de amanhã (08), em Paris, no 21º Congresso da Internacional Socialista (IS), o último do século. Os representantes de 130 países devem aprovar a chamada Declaração de Paris, que servirá de orientação doutrinária no próximo século para os partidos filiados.
As contribuições para a preparação desse texto foram hoje submetidas ao "presidium" da IS e amanhã deverão ser aprovadas pelo plenário. Trata-se de uma síntese, feita com muita dificuldade, de quatro documentos básicos: o manifesto conjunto dos primeiro-ministros britânico e alemão, Tony Blair e Gerhard Schroeder, e textos dos partidos socialistas espanhol, francês e italiano.
Os socialistas franceses não escondem uma certa satisfação pelo fato de terem desaparecido do texto as noções de "Terceira Via" e "flexibilidade", que apareciam no manifesto anterior de Blair e Schroeder. No texto há críticas ao capitalismo e é reafirmada a supremacia da política sobre a economia, mesmo não se renunciando ao princípio da economia de mercado.
Numa carta dirigida aos franceses e publicada hoje pelo Journal de Dimanche, de Paris, Blair afirmou: "Não sejamos os guardiães de dogmas superados diante da globalização" - uma afirmação que nem todos os socialistas franceses apreciaram. A seu ver, devemos buscar o justo equilíbrio entre as exigências da atividade e as dos homens.
O encontro de Paris será marcado também pela escolha de um novo presidente da IS. O atual, o francês Pierre Mauroy, sucedeu ao alemão Willy Brandt, e deve ser substituído por Antônio Guterres, primeiro-ministro de Portugal. O ex-governador Leonel Brizola, representante do único partido brasileiro filiado, o PDT, ao que tudo indica será reconduzido a uma das vice-presidências da organização.
O PT participa como observador e é representado pela candidata potencial à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy.
Durante o congresso haverá um verdadeiro desfile de líderes partidários e dirigentes governamentais: o ex-primeiro-ministro de Israel Shimon Peres e o atual, Ehud Barak; o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat; Blair; Schroeder; os primeiros-ministros da Itália, Massimo DAlema, e da França, Lionel Jospin; o presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa.

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