Maristela Santos de Oliveira, de 38 anos, lembra com revolta do período em que ficou internada em um hospital psiquiátrico em Jandaia do Sul, por conta de uma crise de distúrbio bipolar. ''A gente ficava na camisa de força, levava choque elétrico e não comia direito. Isso não me ajudou em nada, só me revoltou. É um tratamento desumano'', conta a auxiliar de enfermagem aposentada.
Hoje, além da medicação, ela frequenta duas vezes por semana o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) em Londrina, e participa das oficinas terapêuticas, como a de salão de beleza e artesanato. Além disso, voltou a estudar e cursa artes cênicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Eu gosto, mas é difícil estudar, porque tem muita leitura, muita coisa nova. Mas, hoje posso dizer que levo uma vida normal'', afirma.
O auxiliar de enfermagem e técnico em radiologia desempregado Armando Teodoro, de 55 anos, também considera a internação ''uma experiência terrível''. Ele também sofre de distúrbio bipolar, mas hoje seu tratamento, além do medicamento, é o intensivo-dia no Caps em Londrina.
Uma das atividades de que Teodoro participa é o grupo de economia solidária, coordenado pelo núcleo de economia solidária da prefeitura, que produz amendoim salgado para vender. O grupo não poderia ter nome mais significativo ''Louco de Bom'', mas Teodoro lembra que o preconceito ainda é grande. ''Você sente que há rejeição ou piedade quando se identifica como paciente do Caps''.
Em Londrina, são cerca de 2,3 mil atendimentos por mês no Caps Conviver, entre o pronto-socorro, ambulatório, fornecimento de medicamentos e atendimentos-dia. Lá, segundo a enfermeira Fábia Almeida, também funcionam seis leitos de internação de curta permanência, e o local é ''porta de entrada'' para o hospital psiquiátrico, quando há necessidade.(C.P.)

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