Paulo Pegoraro
De Cascavel
e Agência Folha
Getúlio Machado, 37 anos, um dos presos e indiciados pela morte da prefeita de Mundo Novo, Dorcelina Folador, foi preso em Cascavel no sábado. A prisão foi feita por agentes da 20ª Subdivisão Policial, de Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel) e da Delegacia Antitóxicos de Cascavel, em conjunto com integrantes do grupo especializado Garras, da polícia sul-mato-grossense.
A operação foi determinada pelo delegado-geral da Polícia Civil paranaense, Ricardo Noronha, que colabora nas investigações sobre o assassinato da prefeita. Mundo Novo está localizado na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraná. Getúlio Machado foi localizado em uma oficina mecânica, na zona leste de Cascavel. Os policiais do MS tinham em mãos um mandado judicial de prisão temporária contra Getúlio, que tem passagem pela polícia de Cascavel.
O acusado foi levado imediatamente para Campo Grande, capital do MS, para ser interrogado. Em Cascavel, antes de ser transferido ele disse apenas que, na época do crime, chegou a ser procurado por uma pessoa que se identificou apenas como ‘‘Rondon’’, para que intermediasse a contratação de pistoleiro, mas não teria aceito. Já em Campo Grande, para onde foi transferido, ele afirmou que não disparou contra a prefeita, mas admitiu ter contratado outra pessoa para matá-la, sengundo informou a polícia.
Além de Getúlio, estão indiciados pela morte de Dorcelina Folador o ex-secretário da Fazenda de Mundo Novo, Jusmar Martins da Silva, suspeito de ser o mandante do assassinato, e o despachante Roldão Teixeira de Carvalho, acusado de contratar o autor do crime. As investigações também levaram a polícia a descobrir a autoria de cinco ‘‘crimes de pistolagem’’ na região e a prender seis pessoas, além das três indiciadas.
Segundo a polícia, Jusmar confessou ter dado R$ 20 mil para os pistoleiros quatro dias depois da morte da prefeita. Daria mais R$ 15 mil no dia 30 de dezembro. Em depoimento, os acusados disseram que mataram a prefeita por motivos pessoais. Jusmar, que foi secretário da Agricultura de Dorcelina, teria sido humilhado pela prefeita quando foi demitido, segundo afirmou à polícia.
O despachante Carvalho disse que participou do crime porque Dorcelina seria a culpada por ele estar sexualmente impotente. A prefeita teria chutado os seus testículos durante a campanha das últimas eleições. O motivo da agressão seria a distribuição de panfletos contra o então candidato José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, hoje governador.
A delegada disse que os três podem pegar mais de 20 anos de prisão, se condenados, pois houve premeditação, tocaia e o crime foi feito mediante pagamento .
Jusmar é filho do delegado da cidade, Joel José da Silva. Filiado ao PMDB local, o delegado teria convencido o atual prefeito de Mundo Novo, Kléber Correa de Souza, a trocar o PMN pelo PMDB um mês antes da morte da prefeita.
Uma das primeiras medidas tomadas por Souza assim que assumiu o cargo foi trocar o titular da Secretaria de Finanças e dar posse a Jusmar. Jusmar disse, em entrevista, que Kléber Souza sabia que ele era o mandante do crime. Souza não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto.
A prefeita foi assassinada com seis tiros na noite do dia 30 de outubro, na varanda de sua casa, em Mundo Novo (470 km ao sul de Campo Grande).Getúlio Machado estava morando em Cascavel e confessou ter contratado a pessoa que efetuou os disparos que mataram a prefeita Dorcelina Folador
Arquivo FolhaINDICIADOSO ex-secretário Jusmar Martins da Silva e o suposto ‘pistoleiro’ Getúlio Machado (ao lado): crime pode começar a ser desvendado

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