Curitiba – Diferentemente do que aconteceu em 2011, as cidades do interior responderam pela maioria dos homicídios dolosos registrados no ano passado no Paraná. Foram 3.135 ocorrências, sendo 1.394 em Curitiba e região metropolitana (45%) e 1.741 nos demais municípios (55%). Isto representa oito homicídios por dia no Estado. No ano anterior, dos 3.085 registros, 1.543 ocorreram na Grande Curitiba (51%) e 1.542 (49%) nos municípios do interior.
Estes números foram puxados principalmente por ocorrências nas Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisps) que abrangem quatro grandes cidades do interior: Londrina (20ª Aisp), Maringá (17ª), Foz do Iguaçu (12ª) e Cascavel (11ª). Somadas, estas quatro regiões responderam por 751 homicídios em 2012. De todas as 23 Aisps, 13 registraram aumento nos homicídios, nove tiveram queda e uma se manteve estável.
Os dados fazem parte do Relatório Estatístico Criminal de 2012, divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Neste documento não estão incluídos dados sobre mortes em confrontos com as polícias. Estes índices ficam sob responsabilidade das corregedorias das polícias Civil e Militar.
A região de Londrina apresentou um crescimento de 38,5% na quantidade de homicídios dolosos. No ano passado, a 20ª Aisp, formada por Londrina, Ibiporã, Cambé e Tamarana, teve 176 assassinatos, contra 127 em 2011.
O maior número registros ocorreu em Londrina (111), seguida por Cambé (42), Ibiporã (16) e Tamarana (7). A variação só não foi maior que a da 3ª Aisp, com sede em Paranaguá, que apresentou uma alta de 140% de um ano para outro (de 37 para 89 assassinatos).
Somente na cidade de Londrina, houve um crescimento de 24,7% nos assassinatos, passando de 89 ocorrências em 2011, para 111 no ano passado. Em Cambé a alta foi de 68%, e de 23% no município de Ibiporã. Em 2011, Tamarana não havia registrado nenhum homicídio.
"Sabemos que a violência cresceu em Londrina e em cascavel. Por isso, as primeiras UPS (Unidades Paraná Seguro) do interior foram nestas localidades", destacou o secretário de Segurança Pública, Cid Vasques.
Além dos dados sobre assassinatos, a Sesp divulgou o total de latrocínios (roubos seguidos de morte). Em todo o Paraná foram 111 ocorrências, sendo que a maior parte foi registrada na 2ª Aisp, com 26 casos. A cidade com mais registros foi Curitiba, com 25. A 20ª Aisp teve quatro casos em 2012, todos em Londrina.
"Algumas medidas foram tomadas no ano passado, como a instalação da Delegacia de Homicídios em Londrina. A partir daí a elucidação de crimes passou a ser maior. Além disso o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), apontou um crescimento na apreensão de drogas na região de Londrina, sendo que a maioria dos homicídios está relacionada com esta prática ilegal", o delegado titular da Divisão Policial do Interior (DPI), Júlio Cezar Reis.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, salientou que a quantidade de homicídios neste ano já é bem menor que a do ano passado. "Não tem como se prever um homicídio, pode ser em decorrência de uma briga de bar ou em virtude de uma discussão passional. Mas uma forma de se evitar estes crimes é a apreensão de armas, que está ocorrendo tanto e Londrina como na região'', destacou.
"Os homicídios sempre existiram, é algo sazonal, depende de uma série de fatores. No momento tivemos uma redução, mas no próximo mês em uma briga entre gangues, por exemplo, pode ocorrer várias mortes, daí o número vai lá pra cima de novo. Queremos evitar isso com policiamento mais ostensivo nas ruas, atuação da DH e com a instalação de UPS", conclui.

Imagem ilustrativa da imagem Interior puxa aumento da violência no Paraná
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