Interior paulista é o que menos investe
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sábado, 05 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Com o maior número de municípios contemplados pelo programa de financiamento do governo federal e Banco Mundial, o Estado de São Paulo é o que também possui mais casos de investimento zero na prevenção da Aids em suas cidades do interior. Dos 23 municípios que, até agora, nada aplicaram, oito se localizam no interior: Santos, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas, São Bernardo do Campo, Jundiaí, Osasco e Piracicaba.
A gravidade do problema aumenta com a constatação de que essas cidades estão entre as 60 com maior incidência da doença em sua população, como revela o último boletim epidemiológico trimestral editado pelo Ministério da Saúde.
É a situação de Santos. Da década de 80, quando o governo iniciou a notificação de casos de Aids, pra cá, a cidade registrou, por grupo de 100 mil habitantes, 524 pessoas contaminadas pelo vírus. Com esta incidência, Santos ocupa a terceira colocação no ranking de municípios mais afetados pela doença no País. Atrás apenas de Itajaí (SC), que tem 574 doentes por cada 100 mil, e o Balneário de Camboriú (SC), com 535.
Segundo informações do Ministério da Saúde, a secretaria de Santos recebeu há dez meses a quantia de R$ 303 mil para promover campanhas de prevenção de Aids. O dinheiro não foi usado ainda, como também continua sem qualquer aproveitamento em projetos de combate à doença os R$ 762 mil entregues, há dez meses, para a Secretaria de Saúde de Itajaí. Camboriú não faz parte do programa de financiamento.
A não aplicação do recurso disponível se repete em São José do Rio Preto e em Ribeirão Preto. As duas cidades estão empatadas em quarto lugar no registro de 431 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Há oito meses a Secretaria Municipal de Saúde de São José embolsou R$ 344 mil. E, nesse mesmo período, o caixa da secretaria de Ribeirão teve o reforço de R$ 229 mil. Mas a campeã em atraso na aplicação da verba é Piracicaba, que tem 146 casos por cada 100 mil habitantes. Os R$ 200 mil estão na conta do município há 17 meses.
Pelo cronograma de liberação de recursos do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids, está reservado aos municípios uma nova parcela de recursos, desde que honrados os antigos compromissos. Para Santos está previsto o adicional de R$ 193 mil, para São José do Rio Preto, R$ 175 mil, para Ribeirão Preto, R$ 190 mil, e para Piracicaba, R$ 143 mil. As liberações de mais recursos deverão começar ainda neste mês para quem estiver em dia.(S.S.)


