Interferência da ONU em Angola foi um "desastre"
Lisboa, 13 (AE-AP) - A própria ONU foi responsável pelo fracasso no estabelecimento da paz em Angola porque não foi forte o suficiente para implementar o acordo acertado e foi lenta na imposição de sanções eficazes contra os rebeldes da Unita (União Nacional para Total Independência de Angola), diz um relatório do grupo de direitos humanos baseado em Nova York, Human Rights Watch. "A falha na implementação do acordo de paz de 1994 deve ser corrigida para que o retorno da ONU para Angola e os planos de implementação de acordos de paz similares no Congo e em Serra Leoa tenham sucesso", acrescenta o informe divulgado hoje (13) em Lisboa. A ONU gastou quatro anos e US$ 1,5 bilhão supervisionando a implementação de um acordo de paz, que no final fracassou, na antiga colônia portuguesa. O envolvimento do órgão no processo foi "um desastre", afirma o relatório. Os últimos funcionários da missão de paz da ONU deixaram Angola em janeiro deste ano. Contudo, espera-se que o Conselho de Segurança da ONU autorize uma nova missão para Angola ainda neste mês. Peter Takirambudde, do grupo executivo para a áfrica do Human Rights Watch, disse "que a ONU foi cega em relação às brechas abertas no acordo de paz, o que ruiu a confiança no processo e criou um círculo vicioso de constante violação dos direitos". A guerra civil de duas décadas de Angola foi reiniciada em dezembro, acentuando a miséria no país africano de 11 milhões de habitantes. A guerra fez com que 1,7 milhão de pessoas deixassem seus locais de origem para fugir dos combates. Os refugiados angolanos enfrentam a escassez de comida e de remédios. Apesar da ONU ter imposto um embargo de armas à Unita em 1993, os rebeldes conseguiram burlar a medida comprando armas de fornecedores privados na Albânia e Bulgária, diz o informe. Durante todo esse período, a Unita financiou a compra de armamentos, incluindo tanques e equipamentos de artilharia de longo alcance, com a extração de diamantes das minas que controla na Angola. Somente no ano passado a ONU impôs um embargo sobre a venda de diamantes, diz o relatório.





