Interesses políticos movem protestos de perueiros
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 27 (AE) - A guerra declarada dos donos de lotações à Prefeitura de São Paulo é política e tem fins eleitoreiros. Pelo menos essa é a afirmação de parte da categoria, que encara os atos de vandalismo protagonizados por alguns donos de lotações clandestinas como forma de autopromoção
em um ano de sucessão municipal.
O pivô da discórdia e da divisão da cidade em duas facções - uma a favor da proposta de legalização do prefeito Celso Pitta (PTN) e outra contrária, que prega a destruição dos ônibus - é Laércio Ezequiel dos Santos, de 32 anos. Filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), ele é candidato a vereador e diz que "faz e arrebenta". "Nunca incitei a violência, mas, como a Prefeitura não nos atende, lavo minhas mãos."
Da zona sul, foi ele quem organizou as carreatas de peruas que terminaram estacionadas na frente do Palácio das Indústrias, ontem (26). "Estamos em guerra contra o poder público, que põe a população na linha de fogo", admite.
Do outro lado estão Haroldo Mariano, da zona oeste, e José Célio dos Santos, do Sindicato dos Perueiros de São Paulo. Ao contrário do "dissidente", são a favor do projeto de lei aprovado na Câmara Municipal, que legaliza 4.042 peruas.
"Malucos" - "É melhor isso do que as 2.350 anteriores; estamos ganhando aos poucos", diz Mariano. "O que não podemos é deixar a classe ser prejudicada por aspirações políticas de alguns malucos, como o Laércio, que usa o pessoal como massa de manobra para eleger-se vereador."
Totalmente contrário às depredações, Mariano é bem recebido pelo prefeito e seus assessores. E elogia Pitta. "O prefeito está tentando melhorar nossa situação", afirma. Mariano é filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), mas nega ser candidato a vereador. Lidera uma comissão de 25 perueiros, formada em 1997, que trata diretamente com assessores do prefeito do rumo dos lotações.
Até mesmo a Prefeitura deixa bem clara a divisão política. Um assessor direto do prefeito disse que "com o Laércio não tem conversa, mas com o Haroldo (Mariano) a coisa muda".
Santos compartilha das opiniões de Mariano. Também participa da comissão dos 25. "Tudo está ocorrendo porque o Laércio quer ser vereador; eu, não", garante. Apesar da declaração, Santos é filiado ao Partido Populista Socialista (PPS) e já foi candidato a deputado.


