Rio, 29 (AE) - Entre a América Latina e a União Européia existem divergências, mas há, também, muitos interesses comuns. É assim que o subsecretário de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior, José Alfredo Graça Lima, explica a iniciativa das duas regiões de agir "em conjunto" na Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio, conforme compromisso firmado na Declaração do Rio.
"É verdade que temos um interesse divergente com relação à agricultura", reconheceu o embaixador. "Mas nada impede que, com relação a outros temas, possamos levar conjuntamente uma posição sobre a política de concorrência, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais e até questões de procedimento."
A declaração, firmada pelos 47 chefes de Estado e de governo e divulgada hoje, anuncia a criação de uma "parceria birregional estratégica". E diz que os mandatários vão "propor
na próxima reunião ministerial da OMC, o lançamento de uma nova rodada de amplas negociações comerciais, sem excluir nenhum setor, que vise à redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias ao comércio de bens e serviços".
De acordo com Graça Lima, que conduz as negociações do lado brasileiro, há importantes coincidências de opiniões entre o Mercosul e a UE sobre o processo de negociações para a liberalização econômica no nível mundial. Em primeiro lugar, "o Mercosul apoiou, desde logo, o próprio lançamento da rodada", proposto pela UE.
"Nós apoiamos a sugestão de que a rodada se conclua dentro de três anos", prosseguiu o embaixador. "Queremos que o pacote a ser negociado seja abrangente, mas, ao mesmo tempo, equilibrado, e eu quero crer que essa também seja a posição da UE." Com relação a questões substantivas, as duas regiões terão de ver, com o andamento das negociações, como superar os conflitos de interesses. "O primeiro teste desse engajamento negocial vai-se produzir já a partir do começo do ano que vem, com o provável lançamento da Rodada do Milênio."
O primeiro-ministro da Espanha, Jose María Aznar, disse que, por enquanto, não há um bloco constituído entre as duas regiões. "Trata-se de resolver diferenças, para que os interesses de um não sejam satisfeitos às custas do outro, mas esse é o caminho para se constituir um bloco", disse Aznar.

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