Interesse externo na Banda C do celular ainda é pequeno3/Mar, 15:07 Por Renata de Freitas São Paulo, 03 (AE) - Os maiores interessados na Banda C da telefonia celular, que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai licitar no segundo semestre, são - ainda - os atuais operadores das Bandas A e B. Essas empresas tanto querem ampliar as suas áreas de atuação como aumentar a faixa em que já operam para poder oferecer mais serviços. Investidores externos que ainda não estão no mercado brasileiro demonstram pouco interesse pela Banda C, na opinião do advogado especializado em telecomunicações Walter Vieira Ceneviva. Ele avalia que, por enquanto, apenas a Vodafone Air Touch se manifestou realmente disposta a entrar na licitação. "Comparando com a Banda B, pelo fato de a licitação ainda estar distante, o normal seria que os interessados estivessem mais aparentes", declarou. "Neste estágio, leio mais o silêncio como falta de interesse do que estratégia", afirmou. "Só faz sentido ficar escondido para baixar as ofertas na licitação", disse. Segundo Ceneviva, a disputa sobre qual faixa de frequência será destinada à Banda C - se a de 1,8 Gigahertz ou a de 1,9 Ghz - está sendo superestimada. "A faixa é vital porque define abordagem em termos de mercado, mas não é excludente", afirmou Ceneviva. "Todos os players importantes conseguem se posicionar de um lado ou de outro", disse. Para outro advogado, que assessorou um grande vencedor da licitação da Banda B, os investidores ainda não manifestaram interesse porque desconhecem até o momento condições básicas do processo, por exemplo, que serviços os novos concessionários poderão oferecer aos clientes. As faixas de frequência em discussão permitem serviços mais avançados de comunicação de dados. "Existe um interesse latente, que está dependendo de quais serão as regras do jogo", afirmou o advogado. "Na Banda B não havia essa dúvida", disse. Os investidores também estão frustrados, segundo essa fonte, com a ausência de garantias jurídicas dos direitos definidos nas privatizações do setor, como os reajustes tarifários. A expectativa era essa na audiência realizada pela Anatel há uma semana. "O investidor foi buscar isso na audiência pública do dia 24 e saiu sem resposta", declarou o advogado. "Isso é o que promove a insegurança e pode acautelar o investidor", acrescentou. Mesmo assim, o advogado acredita que a oferta de mais uma licença para operação da telefonia celular no País vai ser concorrida, mas sem o impacto econômico da Banda B, que chegou a resultar em quase R$ 10 bilhões para os cofres públicos.