Interditadas câmaras frias do Hemope
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 14 (AE) - A coordenadora do Programa de Inspeção em Unidades Hemoterápicas do Ministério da Saúde, Aludima Mendes, interditou hoje pela manhã as câmaras frias que acondicionam o plasma utilizado na produção de albumina pelo Hemocentro de Pernambuco (Hemope).A medida foi efeito da denúncia da consultora do Conselho Federal de Medicina (CFM) e diretora da produção de Hemoderivados do Hemope, Cândida Cairutas, sobre nove lotes de plasma que tiveram testes reagentes ao vírus HIV (um deles) e a hepatite A e C.
O Ministério da Saúde e a Secretaria estadual de Saúde não sabiam do fato, ocorrido nos anos de 1997 e 1998. Na época, Cairutas ocupava o mesmo cargo, respondendo pela produção de albumina. Mesmo afirmando que a comunicação do fato era de responsabilidade da ex-presidente do Hemope, Cristina Carrazone, Cândida Cairutas disse ter informado o ocorrido aos hemocentros que forneceram o plasma sob suspeita ( Alagoas, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina) e pediu o rastramento dos doadores ao Hemocentro da Bahia, do Recife e de Petrolina, no sertão pernambucano, que forneceram o plasma do lote número 00598, único reagente ao HIV.
Cândida tem um ofício de Aludima Mendes em que ela, de certa forma, respalda a falha do Hemope ao não fazer a "validação" dos hemocentros dos quais recebem plasma. "Os resultados das inspeções realizadas pelo Programa de Inspeção podem auxiliar na validação", afirmou ela em mensagem datada de 8 de maio do ano passado. Hoje ela chamou o procedimento de "irregular".
Não é a primeira vez que Cândida promove polêmica. Quando as grandes indústrias respondiam pelo abastecimento de sangue ela denunciou que o produto utilizado tinha efeitos pirogênicos, provocava febre. Depois foi comprovado que o sangue não era de boa qualidade.
Sem problema - A interdição do Hemope não trará problemas, já que o órgão dispõe de um estoque de 10 mil frascos de albumina. O Hemope recebe uma média de 400 doações de sangue por dia e é o maior produtor de albumina no País, fabricando cerca de 30 mil frascos por ano.
O plasma, matéria-prima para a albumina, lhe é fornecido por 13 Estados - Bahia, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul
Ceará, Santa Catarina, Alagoas, Minas Gerais, Pará, Paraná, Maranhão, Amazonas, Sergipe e Paraná. Os outros produtores de albumina são de pequeno porte. O hemocentro de São Paulo abastece o Hospital das Clínicas e o hemocentro de Brasília faz a sua produção com material local e do Rio de Janeiro.


