O número de alunos por professor numa turma de creche ou pré-escola é fator decisivo para o bom desenvolvimento da criança. Entre bebês de 1 ano, o ideal é haver três crianças para cada professor, proporção que pode subir para quatro alunos por funcionário entre crianças de 2 anos. É o que disse ontem o professor emérito da Universidade de Harvard Thomas Berry Brazelton, para quem nas turmas de pré-escola, com alunos acima de 4 anos, o ideal é um adulto ser responsável por no máximo seis crianças.
‘‘O professor precisa ter tempo para brincar com as crianças’’, afirmou Brazelton, que participa até quinta-feira, em Brasília, do seminário ‘‘O Desenvolvimento Integral da Primeira Infância e as Políticas Públicas’’.
Professor de pediatria, Brazelton é assessor da primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, para assuntos relacionados ao desenvolvimento infantil.
Dados do Censo Escolar de 1999 divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), no entanto, mostram que a realidade brasileira está muito distante do ideal preconizado por Brazelton. Nas creches brasileiras, a relação professor/aluno é de 1 por 17, proporção que sobe para 1 por 19 na pré-escola.
A preocupação do assessor de Hillary Clinton com o atendimento às crianças está ligado à importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento do ser humano. É nesse período que se criam as estruturas fundamentais do cérebro. ‘‘Se a criança não aprende a gostar de aprender quando jovem, ela até poderá fazer isso mais tarde, mas haverá um custo muito alto’’, ensinou Brazelton.
O psiquiatra infantil Joshua Spearrow enfatizaram a importância da interação dos bebês com outras pessoas. Ele citou como exemplo a amamentação, a troca de olhares, sorrisos e caretas entre o bebê e a pessoa que o pega no colo. Essa interação supera qualquer estimulação proveniente de jogos ou brinquedos visuais. ‘‘O mais importante é a interação com seres humanos’’, apontou Spearrow.

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