Formada e pós-graduada em fonoaudiologia e com 12 anos de experiência no ramo do varejo, Carla Elage resolveu juntar os dois conhecimentos e vem desenvolvendo trabalhos para aperfeiçoar o quociente de emoção (Q.E.) de profissionais. Hoje, ela é proprietária de uma empresa de consultoria, que oferece treinamento e workshops para empresas e profissionais.
Foi lendo livros sobre inteligência emocional para aplicar na educação dos filhos que Carla teve sua atenção despertada para a importância do tema no desenvolvimento de uma carreira de sucesso. ‘‘Diferentemente do que ocorre com o quociente de inteligência (Q.I.), o quociente emocional pode ser treinado.’’
A consultora lembra que as empresas, atualmente, estão focadas na busca de resultados e na maximização do desempenho dos profissionais. ‘‘Inteligência emocional é desempenho com outro nome.’’
Carla catalogou uma série de características comuns aos profissionais com Q.E. elevado. ‘‘São pessoas com uma sensibilidade muito grande para lidar com os outros, com capacidade para obter o desempenho desejado e que costumam se ver sob o prisma de quem os está contratando.’’
Também são características marcantes a capacidade de lidar bem com o estresse, a liderança e a capacidade de trabalhar em equipe. Em contrapartida, pessoas irritadiças, impacientes e incompreensivas ainda precisam trabalhar seu Q.E..
Ter Q.I. elevado mas não saber se relacionar bem pode ser fatal para a carreira. ‘‘É muito comum você ver uma pessoa que sempre foi o melhor aluno da classe, mas que, no entanto, não consegue se dar bem na profissão justamente por não saber lidar com os outros.’’
Para Thomas Case, presidente do Grupo Catho, empresa de consultoria em recursos humanos, o controle emocional é uma das características mais importantes da personalidade de um executivo.
Uma pesquisa realizada por ele em agosto de 2000 catalogou as características mais positivas e as mais negativas de um profissional. ‘‘Entre os fatores negativos, em primeio lugar vem a preguiça, seguida da falsidade e, em terceiro lugar está o descontrole emocional.’’
‘‘Isso significa um forte impacto negativo na carreira.’’ Para Case, no escritório não há lugar para a emoção. ‘‘O profissional ideal é racional, calculista e estrategista.’’
Ele destaca, porém, que um dos profissionais mais valorizados no mercado atualmente é aquele que sabe se relacionar bem com os colegas, tem espírito de equipe e que consegue criar um clima agradável no trabalho.
Para Case, norte-americano naturalizado brasileiro, aqui, mais do que nos Estados Unidos, a questão da inteligência emocional, incluindo a importância dos relacionamentos interpessoais, é mais valorizada. ‘‘A cultura brasileira é de não-confronto, de evitar conflitos. Profissionais arrogantes e encrenqueiros não têm lugar no mercado de trabalho.’’

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