Londres, 01 (AE-NEWSWEEK) - Um dos principais desafios para a próxima década é garantir que todas as partes do planeta possam desfrutar de tecnologias como a da Internet. Ainda existem 2 bilhões de pessoas espalhadas pelo mundo que nunca fizeram uma chamada telefônica e nem sequer imaginam o que seja conectar-se a um provedor como a American On Line (AOL).
A boa nova é que a rede mundial de computadores naturalmente elimina muitas das barreiras que podem impedir o progresso no mundo real, como raça, classe e sexo. No espaço cibernético, não podemos ver a idade ou a cor das pessoas - fato que pode dar lugar a redes mais abrangentes, em vez de redes compostas apenas por homens-brancos-de-terno.
Mas a Web não pode agir como a grande equalizadora a não ser que todos tenham acesso a ela. Americanos com grau universitário provavelmente terão quase 16 vezes mais acesso à Internet no lar do que os que têm educação ginasial e colegial. Uma família norte-americana rica e de origem asiática terá probabilidade 34 vezes maior de acesso à Internet que uma família pobre afro-americana, de acordo com um estudo feito pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
A situação é pior nos países em desenvolvimento. Embora os preços dos hardwares de computador estejam caindo mensalmente, existem apenas 14 milhões de linhas telefônicas na áfrica - menos do que na cidade de Tóquio ou em Manhattan. Felizmente, satélites de órbita baixa poderão logo oferecer conexão mais barata.
Enquanto isso, organizações como o Banco Mundial e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas estão correndo para ligar por cabos o mundo em desenvolvimento. A Africa Connection, iniciativa lançada pela áfrica do Sul e Uganda e apoiada pelo Banco Mundial, é uma tentativa para aumentar o acesso à rede mundial entre os africanos. O maior obstáculo: tornar a áfrica um lugar atraente para negócios das companhias de telecomunicações.
Também está sendo investido dinheiro na criação de formas de acesso de estudantes à Internet. Tanto a ONU quanto o Banco Mundial estão ligando escolas secundárias e universidades em países em desenvolvimento. A idéia é essa: como a tecnologia de informação é uma nova indústria, os estudantes deveriam ter treinamento on-line e ajustar o passo com seus colegas do Ocidente. Na opinião de John Roome, do serviço de aprendizagem do Banco Mundial na áfrica, é possível esperar que um trabalhador africano na área de informação seja tão capaz quanto seu colega nos Estados Unidos.
À medida que o mundo fica cada vez mais on-line, a demografia da web vai mudando. A Computer Economics estima que até 2002 a maioria dos usuários da rede mundial não falará inglês como sua primeira língua. O conteúdo local continuará a crescer em popularidade. E a Web será um lugar não apenas para troca de informações, mas também para preservar a cultura local.
Os nômades da Mauritânia, os inuits do Canadá e os camponeses do interior de Uganda poderão conversar não apenas com o mundo desenvolvido, mas também entre si. Não existem provas para sugerir que o aumento da capacidade de conexão resolverá todos os problemas de comunicação no mundo. Mas pelo menos poderemos fazer intercâmbio de cartões-postais a partir de qualquer canto do mundo.