Terra Boa Cerca de 140 pessoas de 38 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ocuparam ontem de manhã o pátio de uma escola e de uma capela na zona rural de Terra Boa (46 km ao norte de Campo Mourão). Eles são excedentes da fazenda Roncador, em Quinta do Sol (54 km ao norte), e estavam acampados há mais de três anos à espera de uma definição do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
De acordo com informações do delegado de Terra Boa, Silas Gabriel, o grupo chegou ao local no amanhecer e começou a montar as barracas. Eles não quiseram fornecer o nome de nenhum líder e negaram que pretendam invadir a fazenda Primavera, onde fica a escola. Tanto a escola como um centro comunitário ao lado estão desativados. O grupo diz que pertence ao Movimento dos Agricultores Sem Terra (MAST).
A fazenda Primavera pertence a família Galli, de Maringá, mas está com um administrador nomeado pela Justiça devido a um processo de insolvência. As terras atualmente estão arrendadas e são usadas para o plantio de milho e soja. Segundo Gabriel, os sem-terra disseram ter apoio do bispo de Campo Mourão, dom Mauro Aparecido dos Santos. O bispo, no entanto, informou ontem à tarde que desconhecia a ocupação.
Os excedentes estavam acampados há 40 meses numa área ao lado da fazenda Roncador, que foi transformada em assentamento. Eles ficaram no local porque havia a promessa do Incra de assentá-las ''em 60 dias''. No ano passado, nem a intervenção do então ouvidor agrário nacional, Gersino José da Silva Filho, resolveu o problema.

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