Rio, 02 (AE) - Duas quadrilhas especializadas em roubo de carros, que atuavam na Baixada Fluminense, chefiadas supostamente por policiais, foram desmonteladas hoje. O cabo do Exército Fernando de Souza Galdino e outros três integrantes da quadrilha foram presos com automóveis roubados, dois deles adulterados, em Nova Iguaçu. Em Duque de Caxias, o policial civil Nilson Gonçalves, dono de uma oficina de desmanche de carros, também foi detido com outros três falsificadores de chassi e documentos de veículos.
A Delegacia de Homicídios da Baixada já investigava há muito tempo a quadrilha comandada pelo cabo Galdino, do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, cujos membros eram moradores de Nova Iguaçu. O primeiro a ser preso foi Valdemir Fonseca dos Santos, em sua casa, no bairro Parque São Marcelo, onde foi encontrada uma kombi roubada, ano 97. Santos contou à polícia que havia comprado a Kombi do cabo.
Santos acusou ainda os irmãos Márcio Rodrigues Gabriel e Carlos José Rodrigues Gabriel, moradores do bairro Vila Valverde
assim como Galdino, de terem envolvimento na receptação dos veículos. Com os irmãos, foram apreendidos um Palio e um Gol, este com chassi remarcado. Segundo a polícia, os dois teriam sido roubados no município de São João de Meriti, no mês de julho.
Na casa do cabo foram encontrados dois automóveis que teriam sido roubados na zona norte do Rio: outro Palio, supostamente levado em agosto, de Honório Gurgel, e um Gol, desaparecido desde maio, proveniente de Madureira. Os acusados negaram envolvimento no roubo, alegando que eram "só receptadores". O cabo Galdino confessou comprar carros adulterados há dois meses e disse que não era o chefe da quadrilha, acusando um homem, cujo nome não foi divulgado, mas que já está sendo procurado pela polícia.
Os carros adulterados valeriam cerca de 20% do preço original. Um Palio 98, por exemplo, com preço de mercado em torno de R$ 15 mil, teria sido comprado pela quadrilha por R$ 3 mil. O delegado da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense
Fernando Reis, disse que agora está investigando se os documentos falsos dos carros roubados teriam sido tirados com conivência de funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ).
No caso da oficina de Duque de Caxias, a polícia prendeu
além do policial Nilson Gonçalves e de José Carlos de Souza, três envolvidos que agiam em outras localidades: Marcelo Vicente
residente em Petrópolis (Região Serrana) e André Luiz Figueiredo, de Bangu (zona oeste da cidade). Eles contaram que atuavam ainda em Jacarepaguá (zona oeste) e no Leblon (zona sul).
Segundo o delegado da 59ª DP (Duque de Caxias), Ricardo Domingues, Gonçalves já respondia inquérito por facilitação de fuga de presos da delegacia em que trabalhava. Se culpados, todos os acusados responderão por roubo, formação de quadrilha e estelionato.

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